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terça-feira, 8 de setembro de 2015

ROTA DE COLISÃO - Transformações

“As ideias que defendo não são minhas.
Eu as tomei emprestado de Sócrates, roubei-as de Chester Field, furtei-as de Jesus.
                     E se você não gostar das ideias deles, quais seriam as ideias que você usaria?
 "                                                                                                        Dale Carnegie

É difícil mensurar a dor humana em sua singularidade, e muito menos o prazer, portanto, o meu olhar recaí sob duas perspectivas: uma, é a de ver o que é real, e a outra, o que não existe.

O mundo passa pelos olhos de quem vê e pelo jogo da verdade: o mundo efêmero e cronológico, e o mundo da alma, etéreo e atemporal.

É muito bom olhar nos olhos do outro, dois olhares, dois universos... uma poderosa multidimensionalidade existencial, uma grandeza que sustenta a vida.

O que acontece, é que a nossa humanidade nos leva além do mundo como ele se apresenta, seja regido pelo princípio da realidade, ou pelo princípio do prazer.

Mas o que seria de nós, se não fossem os sonhos?


Você tem nostalgia de quê?

A pressão do cotidiano te fragiliza?

Sonhos da alma, onde reside a beleza das coisas não verbalizadas, as fantasias im(possíveis), os poemas não escritos, as paixões inconfessáveis, os sentimentos e pensamentos enclausurados em algum porão da mente.

A verdade é que estamos em “processo”, em constante transformação, percorrendo novos caminhos em busca de necessidades, preferências e satisfações.

Buscas e procuras, que nos levam a um nível acentuado de ansiedade, causando uma hipersensibilidade comportamental, tão presente nos transtornos de ansiedade e muito comum dentre os problemas de saúde mental.

São tantos pensamentos intrusivos e persistentes, que roubam nosso sono, faz o coração doer (dor toráxica), medo da morte, tremores, formigamentos, tonturas, sudorese, comportamentos repetitivos, disfunção social e quadros depressivos.

Qual será a cena perdida de sua história?


Onde ocorreu o corte temporal de sua realidade ou de seus sonhos?

Cadê a sensação de completude e inteireza?

Quem são os seus heróis?

Cadê a sua inocência?

E a alegria? Em qual beco você a deixou?

E essa angústia e esse vazio existencial?

O que idealizou ficou muito aquém do real?

O que te fascina?

O que precisa resgatar?

Que amarras te prendem?

Bem, loucura e genialidade são próximas demais.


O que tem assombrado o seu psiquismo?

O que move suas ações, suas escolhas e investimentos frente à vida?

Que dor é essa? Tente identificá-la.

Somos um caldeirão de conteúdos inconscientes, onde nos perdemos, não raramente entre os devaneios da alma e o confronto direto com a realidade, caminhando na fronteira entre o mundo externo e as fantasias da mente.

E aí? Então? Agora, por exemplo, você tem consciência de que está lendo este artigo, ou está apenas sonhando?
 
Assustador, não?

Ás vezes nossas emoções jogam sujo, uma verdadeira mutação inconsciente.

Em alguns momentos desejamos transformar o mundo, mas devemos nos abrir a uma transformação pessoal e esta se refletirá no universo à nossa volta...

E como diria Freud: “um entrelaçamento entre nossa vida cotidiana e a subjetividade”.

Somos parte da essência, na construção do ser-no-mundo, esta complexa equação de vida, onde se revela o fugaz e o transitório, assim como também em contraposição, o eterno e o dinâmico.

Jung,  nos apontaria o seu dedo implacável: “Tudo  que nos irrita nos outros pode levar-nos a um entendimento de nós mesmos”.

Portanto, é melhor, fazermos as pazes conosco mesmo, essa difícil tarefa na compreensão de si, de nossa unicidade, singularidade e não apenas nos contentarmos e nos escondermos na multidão ou no isolamento deliberado.

O confronto do ego, juntamente com os nossos mecanismos de defesa, chega a ser paralisador, e humanos, decididamente não são, assim, digamos padronizáveis, nossa individuação e subjetividade criam barreiras e sentimentos personalíssimos difíceis de serem rompidos.

Passamos uma existência caminhando em extremos e muitas vidas são definidas, não por um tempo cronológico, mas pelo seu estado de espírito.

Qual é mesmo a sua realidade? Vibrante? Monótona? Caótica?

O seu mundo é nítido e claro ou mergulhado em brumas e névoas?

Experiências difíceis e bem particulares?

O que te mantém vivo?

Alguns vivem flertando com a morte, e esta lhes acena uma mão sedutora.

E essa força destrutiva que batalha em sua mente? Isso é pungente, me comove...

Complete, por favor: Viver para mim é um ....... desperdício? desafio? Acertei?

Ah!  entendo, quer razões para viver... Encontre-as...


Quantas vezes nos vemos nos limites de nossas forças físicas e ou psicológicas, descrentes e desiludidos, e em paradoxos, como no velho ditado: “Se cobrir vira circo, se cercar vira hospício”.

Mas podemos melhorar sim, é possível transformar-se, respeitar-se, convivendo consigo mesmo de forma leve e delicada, através da disciplina do pensamento, acreditando no que é capaz, e realizando um diálogo interno com o seu espírito (consciência, intuição e comunhão).

Encontre um rumo, conviva com pessoas que lhe acrescenta, no mínimo, uma pitada de bom humor no seu dia.

Trate o seu “eu” com paciência, com compaixão e arranque qualquer máscara que impeça o manifestar daquilo que você tem de melhor.

Não desista nunca, tente sempre, outra vez e outra vez e sabe de uma coisa: “daqui a cinco anos, você será basicamente os livros que leu e as pessoas com as quais você andou”. Experimente!

Se não mudarmos de rota, inevitavelmente terminaremos no ponto de partida, com dores descomunais, acompanhadas de lágrimas, lutas instintivas, retalhos do passado, fragmentos do presente e angústias conscientes e inconscientes.

Tudo isso, é a nossa existência humana e a busca inexorável pelo óbvio: o sentido da vida.

A boa notícia, é que temos a capacidade para enfrentar nossas verdades e mudar, caso seja necessário, e liberdade para crescer como pessoa.

Seja mais flexível com você mesmo, gerenciando sua ansiedade, com pausas para ouvir a sua música predileta, ler o seu poema preferido, fortalecendo sua auto-estima com pensamentos favoráveis a seu respeito, cultivando um rotina de cuidados pessoais (horários para comer e dormir, praticar uma atividade física regular nem que seja de 10 minutos diários) e  rir (principalmente de você).

Nunca abra mão de sua competência pessoal, profissional também, no sentido de não permitir outros invadirem desrespeitosamente seu espaço, desqualificando-o com atos  invasivos, tolhendo sua privacidade com ações que anulam seu querer e expõe sua individualidade,  privando-o da  liberdade de escolha.

Nessa teia de relações, não podemos mergulhar em padrões manipulativos e  destrutivos e nem  deixar-nos  dominar pelo outro, seja esse outro quem for, roubando sua vontade e infligindo cobranças e conflitos que acabam por minar a saúde e  instalar o adoecimento, manifestado por sintomas físicos e emocionais, tornando-nos desnutridos psicologicamente.

Os vínculos conflituosos, marcados pelo domínio de um sobre o outro, através da desonra e imposições desmedidas, poderá produzir o descuido consigo mesmo, anulando-o, em sua condição de sujeito e subjugando a sua vontade, tornando-o passivo.

Tudo isso poderá gerar alterações na auto-imagem e no auto-conceito, esta invasão do “eu” pelo outro, promovendo uma desmedida violência psicológica.


Uma virtude humana a ser exercitada é a empatia, cuidado e respeito pelo sentimento alheio, nunca impondo condições e exigindo afeto em doses cavalares.

O diálogo é um bom ponto de partida, mas quando isso, torna-se  impossível, o que vemos é  um processo crônico de deterioração das relações e o adoecimento, manifestado  por uma existência disfuncional, comprometida e infeliz.

Como percorremos a nossa caminhada na vida é a questão central da existência humana, e a busca pela felicidade, se é que poderemos conceituá-la, então, felicidade é poder estar com o outro pelo prazer e satisfação de tê-lo como presença.

Ah! te peguei: “quer ser feliz”, e isso nos remete ao arquetípico, mas sinto te dizer, esta tarefa é sua.


Quais são os seus melhores valores?

Estou a cutucar a sua subjetividade... vista-se com seus sonhos e com as imagens de suas mais caras fantasias.


Temos nostalgia...

Buscamos identificações e somos corroídos pela angústia do desejo, uma tremenda saudade de algo: “em algum lugar do passado” ou será no futuro?

E por fim, faça as pazes consigo.

Freud dixit! (O mestre falou!).


Deijone do Valle
Neuropsicóloga