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domingo, 12 de julho de 2015

AMOR Além das Palavras...

 
“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine  ... se não tiver amor, nada serei.”
                                                                                                                     1 Coríntios 13: 1 - 2

Existem pessoas e pessoas, algumas encantadoras, outras inteligentes, criativas, humildes, complexas, amáveis, solidárias e altruístas.

Pessoas são fascinantes, um verdadeiro jardim a ser cultivado e apreciado, no entanto, ao convivermos mais de perto com algumas, certamente teremos conflitos e quem sabe, até pequenos estressores do dia a dia podem minar nossa capacidade de amar e demonstrar afeto.

Todos em alguma medida temos limites e imperfeições, quantas vezes gostaríamos de ser mais paciente, mais bem humorado, menos ansioso e mais agradável.

Alguma vez você foi capaz de elaborar um mapa de suas relações?

Relações pessoais, profissionais, familiares, sociais  e espiritual?

Estas relações espelham potencialmente nossas escolhas, e como reagimos a uma situação específica, evidenciado os aspectos internos e externos da alma.

Conhece seus limites? Suas fronteiras? Seus mecanismos de defesa?

O movimento emocional interfere em nosso comportamento e expandir as amplitudes da mente, podem promover lucidez e equilíbrio.

Quantos ficam cativos de suas emoções? Alguns só arquivam traumas, traições, discriminações, inferioridades, fobias, complexos e punições.

Acalentamos, afagamos e guardamos esse lixo emocional em algum cantinho neuronal de nossa espetacular memória existencial, geralmente de médio e longo prazo.

Como superar tudo isso? Coitado do nosso córtex cerebral,  tem que se  reconstruir...

É isso mesmo, reconstrução, construir novamente, reformar e reorganizar.

Saia daí fantasmas psíquicos! Parem de assombrar essa mente, e isto significa exatamente o quê?


Escolhas! Fazer escolha, gerenciando sua mente de forma consciente, confrontando sua ansiedade com domínio próprio e autocontrole, resgatando assim a serenidade.

Corrija suas rotas, arrisque-se a olhar com maior atenção suas perspectivas, e aquiete-se para ouvir sua intuição.

Cultive a paciência, pois a reconstrução é um processo extremamente lento que exige disciplina e força de vontade.

Não se compra tempo, mas qual é mesmo a oportunidade de hoje?

O quê? Uma leve arritmia diante de um olhar mais ousado? Ou um friozinho na barriga ao ser abraçado? São emoções boas, não é?

Você é uma pessoa fascinante ou difícil de conviver?
Como vai a sua capacidade de amar? Isso expressa valores ou necessidades?

O que o outro tem que você precisa? Qual a dimensão da sua possível capacidade de amar?


Amar, sem nada esperar... amor pelos excluídos, pelos miseráveis, pelos desprovidos de qualquer utilidade.

Amar o ser, é amar sem querer algo em troca, não ver nenhuma oportunidade de tirar proveito.

Uma parcela significativa de humanos,  ama o ter, bens materiais, status social, amor pelo dinheiro, pelo poder, amor condicional, sem gratuidade, absolutamente desprovido de graça, amor com preço e utilidade, amor que alimenta o ego pelo que recebe do outro.

Cadê os sonhos? Sonhe! Sonhos  traduz criatividade, aventuras, riscos e descobertas.

Surpreenda as pessoas com um sorriso de bom dia, de gratidão, de carinho, rompa o óbvio e encante o outro com um abraço ou afago, expresse sentimentos, que certamente irão marcar intensamente o córtex cerebral de seu amado.

Navegue nas águas da emoção, de forma saudável, serena e tenha gestos nobres, que confortam, acolhe e irrigam o relacionamento com atitudes iluminadas.


Seja justo, agradeça o maravilhoso ato de estar vivo, pois a vida é algo extraordinário, assombroso, deslumbrante e totalmente preciosa.

Como tem vivido a sua afetividade? Quais são as suas experiências emocionais significativas?

Tem pessoas que não querem encontrar-se no amor, outros querem  ser encontrados, outros enclausuram sua capacidade de amar, tornando-se ocos e sem vida.

Qual será a sua verdade máxima?


Quando sentimos amor é algo bem simples, mas ao descrevê-lo torna-se extremamente complexo.

Debruçamo-nos sobre uma dimensão multifacetada de formas e capacidades de amar.

Amar nos coloca em cheque com nosso mundo interno e externo, onde mergulhamos nas margens de nossa realidade psíquica em confronto com a experiência emocional do outro, levando-nos a correr riscos ou deliciar.

Difícil estar completo sozinho, mas o amor algumas vezes nos coloca em posição de dependência, e a escolha amorosa tem tudo a ver com a singularidade de cada um, são “divinos detalhes”.

E como diria Balzac: “Toda paixão que não se acredita eterna é repugnante”.

A questão que envolve a capacidade humana de amar,  está intimamente ligada às nossas relações interpessoais primitivas e atuais.

O contato humano é o substrato pelo qual se expressa nossas emoções, resultante de um complexo processo fisiológico e psicológico.

A capacidade ou disponibilidade para relacionar-se com o outro, faz desabrochar o potencial inato que temos para o amor.

Amar é uma atividade cognitiva/afetiva que irá permear todo o nosso ciclo vital, e que se estrutura na interação humana e se estabelece como uma marca singular e personalíssima  de nossa digital afetiva.

A afetividade é construída através dos vínculos estabelecidos durante a vida, em um processo dinâmico de contínuo movimento, o qual orienta condutas, atitudes, escolhas e a própria personalidade do individuo.

É um processo articulado, através dos elementos psicológicos, que vão desde a competitividade, cooperação, dependência, autonomia e que podem se transformar em elementos saudáveis ou patológicos, e que se tornam a matriz do nosso jeito de ser e estar no mundo, definindo a nossa identidade amorosa.

É fácil teorizar sobre o amor e até dizer que ele representa o fracasso do inconsciente, difícil mesmo é vivenciá-lo.

Diz o dito popular, que quando um não quer dois não brigam, assim é o amor em certos casos, você dá o que não tem para quem não quer, talvez seja esse, o freio do inconsciente sobre o amor, uma tremenda de uma insistência sobre o im(possível).

Simétrico? Irregular? Convexo ou Côncavo? Relativo ou Absoluto?

A verdade é que nenhum arsenal de conceitos vão satisfazer nossa percepção ou fantasia sobre o amor.


Ah! o amor... uma projeção sensorial, amparada por devaneios, ilusões, investimentos narcísicos de nossa psiquê e de nossas vivências e experiências humanas, essa forma de saber, onde se aprende vivendo, não é?

O amor, um caminho que deve ser percorrido, uma experiência insubstituível, talvez a mais doce e extraordinária das vivências humanas, um mergulho para além da alma.

Somos finitos em nossa amorosidade humana, um ser no mundo, e a presença do outro dentro de nós, de forma idealizada ou fantasiada em representações simbólicas da nossa consciência.

Se formos malvados e matarmos o ego do outro ao qual hipoteticamente amamos, o nosso próprio ego também irá morrer.

Chego a  conclusão de que o amor é uma tentativa de cura, sabe aquelas pessoas altamente tóxicas, rancorosas e que cultivam uma insatisfação crônica?

Estas deveriam aprender a amar, é o remédio perfeito, para amargurados, pessimistas, pessoas irritáveis até com pequenas bagatelas do cotidiano.

O problema dos chatos de galochas é que eles ou nós,  são como fermento que estraga a vida e azeda as relações, e o que é ainda pior, são portadores da  síndrome do contágio, que acometem quem convive com tais criaturas, uma verdadeira epidemia.

Temos mesmo que aprender a lidar com as frustrações e perdas, pois estas nos ajudam a construir com solidez uma afetividade saudável.

Na prática clínica é possível adentrar o mundo psíquico do paciente e vislumbrar o sofrimento, e quando se escava mais profundamente, o que comumente encontramos aberto ou de forma sutil, é o sofrimento ligado inexoravelmente ao amor.

Amor... o mundo em que habitamos e vivemos reflete claramente um contexto de egoísmo, invejas e opressão, um verdadeiro “mundo tenebroso”.
 
E se o mundo jaz na malignidade e no maligno, então estarmos no mundo, é uma espetacular oportunidade para fazermos a diferença e manifestar o amor, a compaixão, a bondade e a misericórdia, sabe de quem?

De Deus! Estar no mundo é ser sal da terra, é ser luz da vida, estar no mundo,  mas não ser mundano, nem imundo, é ser fonte de graça, essa é a nossa missão.

Infelizmente,  nos tornamos legalistas, que por sua vez leva à culpa, e esta a frustração, mas tenho uma boa notícia, como disse Dostoiévski:  "...o coração do homem tem um vazio do tamanho de Deus”.

Deijone do Vale
Neuropsicóloga