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terça-feira, 17 de março de 2015

PONTOS DE MUTAÇÃO: Confrontos e Limites...



            Duas coisas nos assustam: nossa condição finita e a nossa liberdade infinita.
                                                                                                               (Kierkegaard)


Quantas e quantas vezes adiamos, procrastinamos, relutamos e até evitamos deliberadamente o confronto.

E você já deixou de resolver problemas, situações e conversas necessárias por não se dispor ao confronto direto?

É difícil ter aquela conversa cara a cara?

Vem comigo, vamos juntos dar uma espiada na extensão de nossos limites, ou na estreiteza de nossa visão...

Você se recorda da permeabilidade seletiva da membrana citoplasmática?

Aquela que deixa passar os nutrientes do meio externo para o interior da célula e vice-versa? Temos ou não permeabilidade seletiva em nossas mentes?

Algumas vezes é necessário amadurecer através do confronto e instaurar o diálogo, não é verdade?

A nossa racionalidade e ou emotividade, são incessantemente esculpida pelas diversas vezes que negamos ou nos aproximamos para ajustar diferenças, esclarecer situações ou ampliar impressões, e assim demarcamos ou traçamos fronteiras tipo “muralhas da China”.

O pensamento baseado na racionalidade é linear, analítico e centrado, já a nossa intuição, esta encontra-se fundamentada na realidade decorrente da experiência direta de um estado de consciência ampliado.

A nossa natureza interna é livre, mas nos enclausuramos, não nos permitimos experimentar genuinamente nossos desejos, sonhos e projetos de vida, que envolvem outras pessoas.

Experimentamos ansiedades e dúvidas ao olharmos à nossa volta, o mundo externo.

Somos prisioneiros e passamos a girar em círculos e isso se torna um padrão e estilo de ser, e à medida que estes padrões de repressão vão se tornando fixos, fragilizam nossas oportunidades de expressões próprias, e ficamos alienígenas.

Como retomar a liberdade e enxergar com clareza nossa verdadeira natureza interna?

Quebrando e rompendo padrões de fuga, assumindo uma forma mais direta e honesta, pois nossas  esquivas  impedem aproximações e o confronto.

Entre no problema, lá está a solução, assim a inquietude e o desejo de fugir diminuem.

Olhando com clareza nossas forças e fraquezas, teremos abertura para mudanças e crescimento. Desafiador, não?

Algumas vezes somos resistentes às mudanças e pontos de mutação, mas quando abrimos mão de medos, opiniões e emoções fixas, ganhamos controle sobre nossas vidas.

Diminuindo as tensões internas com sentimentos positivos e não se apoiando em percepções e julgamentos superficiais, que bloqueiam o fluxo das nossas ações, atitudes e relações com outros.

A superficialidade nos tira a visão e aprisiona nossa percepção.

Vivemos uma vida superficial quando não nos abrimos ao diálogo.

Quando abrimos canais de comunicação, ressignificamos a nossa capacidade de relacionar, compreender e ser compreendido, ampliando nossa compreensão sobre a natureza humana.

Pensamentos egocêntricos e centrados unicamente no “eu” é como uma criança que afirma que a lua segue as pessoas e quando lhe perguntamos como será então duas pessoas caminhando em direções opostas, esta não sabe responder, no entanto não se abdica de continuar afirmando que a lua segue as pessoas.

Assim também comportamos, esquecendo-nos da dialética que preside a construção do “eu”, não nos abrimos à reciprocidade, dificultando ou impedindo a coordenação da individualidade com o universal.

Nosso cérebro é um sistema aberto de enorme plasticidade e que são moldados ao longo da nossa história de vida, através do desenvolvimento individual em interação com o meio ambiente.

Isso evidencia a forte ligação de nosso substrato biológico com o funcionamento dos processos psicológicos humanos e a própria inserção em um contexto específico.

Quantas vezes não conseguimos verbalizar, porque não queremos confrontar, mas a linguagem humana é  a  base do intercâmbio social e afetivo, simplificando e generalizando nossas impressões e intenções.

Somos “visceralmente” seres dialéticos, nos mostramos desde o ato motor ao ato mental, onde afetividade e razão se encontram, via  de regra, sob a forma de confronto.

Vale dizer que algo motiva as nossas escolhas e geralmente a afetividade é a vilã e a razão sua serva.

Bem, daí adentraremos  a seara da moral e as questões de interesses, e como diria numa solução Kantiana: “o respeito pela lei moral é um sentimento produzido por um princípio intelectual, e este sentimento é o único que conhecemos perfeitamente a priori, e do qual podemos perceber a necessidade”, e trocando por miúdos, o interesse esvazia o valor do ato moral.

Voltamos então, ao dualismo: razão e afetividade.

O que nos contêm? Será a razão? Ao nos lembrar na hora, de controlarmos desejos?

Pergunto: a razão nasce da emoção e vive de sua morte?

A emoção reduz a eficácia do funcionamento cognitivo?

Novamente o confronto, mas este não significa hostilidade, mas uma validação entre pessoas em termos de mudanças e pontos de mutação.

Impor limites, olhar o outro com amplitude, implica uma demarcação daquilo que lhe pertence e define sua identidade para o relacionamento.

A clareza em delimitar suas fronteiras é algo saudável, um fator de proteção,   mas não devemos nos afastar fisicamente ou emocionalmente por conta de nossas incertezas e medos.

Quando realmente olhamos nos olhos, a intenção é aprofundar a intimidade ou o relacionamento.

O confronto nos leva a uma aproximação e assim é possível estabelecer ou fortalecer vínculos entre as partes.

Uma boa confrontação exige respeito, delicadeza, e sobretudo, uma postura despojada de defesas do ego. Então?

Seja gracioso,  a verdade é sempre uma excelente aliada e o selo da sinceridade proporciona uma incomum oportunidade de amadurecimento.

O seu tom de voz dará o compasso na confrontação, caso tenha consciência clara de que o outro, não é um desafiador, carregando nos ombros uma mochila de informações emocionais, prontas a entrar em ação (ou ebulição?).

Nós humanos, regulamos nosso comportamento através de intenções complexas de nossa consciência, esse componente de alto status na hierarquia das funções psicológicas, ou seja, a própria essência da psiquê humana com suas subjetividades e sempre polissêmica.

Enfim, a solução de tudo isso é vivermos sob a graça de Deus, livre de mérito, com acesso totalmente aberto a essa graça imerecida.

É esse confronto do reino de Deus, graça, simplesmente graça,  gratuidade e favor, não há nenhum condicionamento, é graça pura.

Quando ouvimos: “o reino de Deus está próximo”, acredito que não fala de um tempo cronos futuro, mas de que este reino está aqui e agora ao alcance da sua e da minha mão, este reino que se consumará na eternidade.

Que venha o teu reino, SENHOR, e que o vento de Deus sopre sobre nós.
AMÉM!

Deijone do Vale
Neuropsicóloga