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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

SERIAL KILLER: O Lado Obscuro de Uma Mente...




“O psicopata é como o gato, que não pensa  no que o rato sente.
                           Ele só pensa em comida.
                           A vantagem do rato sobre as vítimas do psicopata é que ele sempre sabe 
                           quem  é o gato” 
                                                                                     Robert Hare (Psicólogo canadense).



A mente humana é um complexo incomensurável, fascinante em sua dinâmica, e o nosso status mental sofre variações ao longo do ciclo vital, sugerindo em alguns casos, uma fisiopatologia do neurodesenvolvimento, devido problemas ocorridos entre conexões nas regiões cerebrais e estas podem não manter o “indicador de qualidade”.

Provavelmente ninguém nasce psicopata, e o máximo que poderemos dizer é que nasce com tendências para a psicopatia, esta medida de furacão, tão variável como peso e altura.

Somos portadores de dois instintos básicos: Eros e Tanatos.

Eros ou instinto de vida, nos reporta a tudo que for criativo e que nos impulsiona no sentido da saúde e da preservação da espécie.

Já o instinto de morte ou Tanatos, nos remete à finitude e extermínio, como evidenciamos nos padrões de ira, essa força destrutiva e primitiva que vive dentro de nós e necessita de domínio próprio, caso contrário, esta “raiva invasora” poderá tornar-se um vício, inundando o cérebro de adrenalina até ao ponto da fúria descontrolada, uma espécie de estado alterado do nível de consciência.

Então... pessoas furiosas tornam-se extremamente perigosas, devido ao conflito constante entre o instinto de vida e o instinto de morte, sendo a mente o campo de batalha travada pelo domínio do ego (Eu), as forças do id (impulsos) e a censura do superego (consciência moral).

A vida psicológica do homem é alicerçada nas bases que vão desde a influência das experiências infantis, dissociações, associações e a maneira específica de relacionar-se consigo mesmo e com o mundo, sendo a natureza humana afetada por um conjunto biopsicossocial, onde a bagagem biológica se desenvolve e manifesta a sua individualidade através de suas características de personalidade (caráter e temperamento).

Nessas condições, o indivíduo torna-se adaptado, ajustado? Adoecido? Patológico? Compulsivo? Obsessivo? Neurótico? Psicótico? Fóbico? Anti-social? Sádico? Masoquista? Sadomasoquista? Destrutivo? Conformado? Passivo? Agressivo?...

É inegável que as relações primitivas de uma criança com adultos significativos ou figuras de autoridade são de suma importância na gênese das patologias ou saúde psicológica.

A linha que separa o normal do patológico é tênue, sendo os transtornos psíquicos uma consequência das alterações na intensidade dos processos e fenômenos neurais de excitação e de inibição cortical.

Se pensarmos em termos de neurose veríamos uma alteração de caráter pessoal como a resultante de um distúrbio do desenvolvimento, tendo como causa, relações interpessoais desfavoráveis, uma resposta da personalidade humana em termos de estrutura às condições ambientais, dando respostas neuróticas e falindo no intercâmbio pessoal.

O sentimento de raiva pode ser físico e ou psicológico, real ou imaginário e qualquer que venha a ser a sua origem, é notório o impulso destrutivo, conferindo uma vulnerabilidade emocional extrema, dotada de certa especificidade e que age como fator desencadeante, proporcional ou não à intensidade do trauma.

O ego dos neuróticos paga o preço da ansiedade, mas não desagrega como na psicose, onde se deforma os elementos concretos, e nem altera a realidade, ou seja, não vê um avião como um pássaro.

O neurótico reconhece sua condição de doente, no entanto consegue manter contato com o seu grupo social e manter um ajustamento diante da vida, diferente do psicótico com pensamentos absurdos, ilógicos, permeados de delírios e alucinações os quais fazem parte da fenomenologia psicótica.

A constelação emocional aponta os pontos vulneráveis, por exemplo, a hostilidade, esta poderá ser uma resultante de frustrações reprimidas, e que definirão o caráter neurótico ou psicótico do indivíduo.

Logicamente a psicose comporta maior gravidade, sendo o prejuízo maior o comprometimento da realidade, através da desintegração da personalidade.

Deve haver um lucro do paciente com seus sintomas, mas quais lucros?

Estas são motivações inconscientes, sendo uma tarefa árdua chegarmos ao conhecimento de verificar até que ponto a sintomatologia das disfunções servem como suporte psicológico para o indivíduo.

A personalidade dos indivíduos que desenvolvem compulsões, obsessões, transtornos de comportamento, fobias, taras, agressividade acentuada e enveredam pela marginalidade, cometendo assassinatos, roubos e outras violências contra o mundo externo, representa uma expressão fotográfica de uma sensação de ameaça ou desconforto interior.

Hereditariedade? Influências neurobioquímicas do cérebro? Fatores ambientais? Experiências traumáticas? 

Tudo fica muito complexo e intrigante quando observamos os sintomas das psiconeuroses, onde predominam as personalidades duplas ou múltiplas, com verdadeiras dissociações mentais que promovem uma farra disfuncional, prejudicando acentuadamente a síntese mental, numa alternância de personalidades diferentes, como  se fosse um caleidoscópio sintomático.

Quais seriam os acontecimentos capazes de determinar tal feitio pessoal?

Os psicopatas, por exemplo, são tipos que variam ao extremo, uma vez que a personalidade humana comporta infinitos matizes que vão da extrema explosividade, irritabilidade e instabilidade emocional, até uma personalidade amoral, sexual, mitômana, obsessiva e paranóide, as variações em termos de reações individuais dependem da organização psicológica do indivíduo.

E os indivíduos que matam em série? Serial Killer? Mata por quê? Por quê matam?

Motivos? Estes são motivos eminentemente psicológicos, que vão desde sexo, poder e dominação, vivenciando uma intensa gratificação pelo ato em si.

Caçam suas vítimas de forma aleatória ou planejada e sua mente criminosa cogita antes da ação, sendo provável o consumo de bebidas alcoólicas antes de agir.

Se analisarmos a vida dos serial killers poderemos constatar problemas e transtornos de comportamento na infância, e abusos sexuais são comuns, negligência em suas necessidades básicas (alimentação, proteção, afeto), e assim crescem sozinhos com uma conduta interpessoal pobre e muita raiva a qual é dirigida aos animais ou a atos incendiários (piromania).

Apresentam fantasias de caráter violento o que caracteriza a morbidez de seus atos contra a humanidade, que percebe com desconfiança e antipatia, devido terem sido abusados ou castigados com punições extremas de humilhações e violência. 

O córtex límbico, o hipotálamo ou lobo frontal se sofrerem traumas, seja através de acidentes ou golpes físicos, podem desencadear comportamentos violentos com uma intensidade de agressividade incontrolável, sendo estreita a relação entre ferimentos e comportamento agressivo ou assassino.

Teremos assim um indivíduo com baixa capacidade de controle de seus impulsos e com atitudes francamente sádicas e disfuncionais, desenvolve um transtorno de personalidade dissocial com franco desvio dos padrões normais, e com um limiar de tolerância às frustrações extremamente baixo, não suportando nenhum tipo de restrição aos seus  impulsos.

O serial killer é um tipo grave de transtorno de personalidade, onde é possível evidenciar o fracasso em adaptar-se às normas sociais.

São frios, calculistas e encapsulados em suas demonstrações de afeto, são superficiais e anestesiados emocionalmente, embora possam possuir máscaras de sedução e um certo encanto pessoal, que aos poucos dará espaço para a intolerância à menor frustração e uma irritabilidade incontida.

São mentirosos (mitômanos), e podem passar despercebidos em uma multidão, mas sempre nos surpreenderão com seus atos e comportamento.

A vida e o ambiente no qual o serial killer foi criado, tem como ponto comum o grupo familiar disfuncional, marcado por conflitos constantes.

É difícil identificarmos à primeira vista um serial killer, pois este poderá esconder-se sob uma capa de dissimulação e manipulação, sendo improvável acreditarmos que aquela pessoa é capaz de cometer tantas atrocidades.

No fundo quase todos os serial killers são grandes narcisistas, são excessivamente egocêntricos, manipuladores hábeis, vaidosos e individualistas, de uma orgulho e rebeldia irritantes.

O psicopata não é um doente mental, e nem todo psicopata se torna um serial killer, mas todo serial killer é seguramente um psicopata.

Interessante pontuarmos, que serial killers podem ter trabalhos fixos, serem assíduos e pontuais, e ocultarem muito bem sua dupla personalidade de forma a mascarar suas tendências calculistas e dissimuladas, um verdadeiro camaleão social.

Alguns abrigam uma fúria indomável com sentimentos vingativos e rancorosos, caminhando na contramão da vida, geralmente imediatistas e insensíveis, mesmo quando objeto de julgamentos judiciais, assistem passivamente, com uma indiferença assombrosa, no entanto são absurdamente exibicionistas e podem teatralizar um falso arrependimento.

Sabem o que é certo e o que é errado, no entanto não conseguem evitar o errado e assim exibem atitudes que chocam pelo absurdo e pela crueldade.

Invejosos e possessivos,  buscam preencher o vazio existencial com adrenalina e assim atacam devido a extrema irritação e angústia incontida.

Desenvolvem prazer em vivenciar sensações de perigo e gostam de sentir poderosos e onipotentes. Reincidem frequentemente, necessitando de vigilância contínua.

A maneira de um serial killer escolher suas vítimas e matá-las, nos traz uma ideia na compreensão do porque matam, geralmente em uma localidade geográfica específica e suas vítimas  são portadoras de um valor simbólico ou mesmo desprovidas de valor (moradores de rua, homossexuais, vagabundos, prostitutas, crianças, mulheres), a vítima tem hipoteticamente uma posição de inferioridade ou impotência diante do serial killer.

Dominação e controle são motivos psicológicos para o assassinato em série, num impulso homicida, quem sabe vasculhando áreas geográficas, ruas, avenidas, becos e locais onde possa caçar suas vítimas aleatoriamente ou com algum significado para o serial killer.

Como o serial killer vivencia suas emoções?

Falta de internalização do superego? Falta de empatia? Ódio e raiva? Depressivo com tendência suicida? Cruel e desumano? Desconfiado e arredio? Hostil e vingativo? Solitário e isolado? Exibicionista e egoísta?

Tudo é muito paradoxal na vida de um serial killer que vive como um indivíduo normal e é um assassino em série, esta dissociação é um fator patognomonico da psicopatia.

Podem ter um modus operandi no modo de matar: estrangular, asfixiar, esfaquear, matar com armas de fogo, afogar entre outros e é possível seus crimes terem uma assinatura, uma marca ou um comportamento ritualístico que tenha significado para o assassino e faz parte de suas fantasias.

É pertinente realizar uma diferenciação entre psicopatia e psicose.

A psicose refere-se a perda do contato vital com a realidade, comporta prognóstico grave, acompanhados de delírios e alucinações.

A psicopatia distingue-se da psicose por não apresentar alterações propriamente qualitativas dos processos intelectuais, volitivos e afetivos, o que nos impressiona e chama a atenção é a desarmonia da personalidade e se traçarmos o perfil psicológico do psicopata, possivelmente teremos uma figura irregular onde predomina alguns componentes, em desfavor de outros, por exemplo, uma exposição acentuada de exibicionismo, orgulho, desconfiança que nas devidas proporções existem em todos nós.

Na psicopatia estes desequilíbrios beiram os extremos, seja no exagero ou na inexistência desses elementos psicológicos que compõem a individuação.

Encontraremos personalidades psicóticas e ou psicopáticas com disfunções dos freios emocionais e psicológicos que vão da euforia à explosividade, com traços amorais, disputadoras, anestésicas, instáveis, mitômanas, sexuais, obsessivas, paranóides, irritáveis, uma verdadeira seriação de aspectos psicológicos fronteiriços e que reagem de conformidade com a sua organização psicológica individual.

Apresentam nuances de toda ordem, mas a característica básica da psicopatia é o feitio anti-social, aliada a uma perversão mórbida dos sentimentos humanos, dos afetos, dos hábitos, das disposições morais e dos impulsos sem alterações significativas das faculdades do conhecimento, do raciocínio ou da inteligência.

O que vemos é um defeito na esfera emocional e afetiva, no julgamento moral e ético, e uma falha grosseira na capacidade afetiva e um limiar extremamente baixo para as frustrações, aliadas a uma maldade franca  ou dissimulada com orientação para um feitio amoral e orientada para hábitos alcoólicos.

A grande maioria dos psicopatas, são predominantemente agressivos, digo predominantemente pois em termos de psicologia humana, os tipos puros basicamente não existe  e se existirem são raridade.

Os psicopatas alimentam rancores profundos, fantasias malévolas de morte e destruição, são incapazes de lidar com a hostilidade interna, isto de certa forma explicaria o eterno descontentamento e a constante irritabilidade, exibindo desrespeito pelos sentimentos alheios, sendo a mentira o recurso comum a todos os psicopatas.

O aspecto mais sombrio da criminalidade psicopática é a sua incorrigibilidade, sempre reicidente, sua carreira é ascendente e suas reações a imposição de autoridade ou prisão aciona crises de agitação colérica de auto-agressividade e auto-extermínio, acentuando a revolta contra o mundo e o grupo social que os pune.

Mesmo conhecendo as regras de moralidade e convívio social, do ponto de vista racional, os psicopatas não conseguem vivenciá-las emocionalmente, pois faltam-lhe consciência do próprio defeito, e esta é uma das razões da falência na psicoterapia.

A maioria dos serial killers, senão todos, são psicopatas, vejam bem,  quando vivenciamos uma situação de tensão, geralmente temos tremores, sudorese e aceleração do ritmo cardíaco, mas psicopatas não exibem estes sintomas, mentem olhando nos olhos,  não conseguem demonstrar gratidão falta-lhes a capacidade de empatia.

O filtro emocional de um serial killer é precário, intelectualmente, racionalmente, ele  pode até saber que determinada conduta é condenável e passível de punição, mas no seu íntimo, no seu mundo interno, ele não percebe o erro de se  burlar ou quebrar aquela regra em questão, por exemplo, matar alguém na rua à vista dos olhos do mundo, e daí?

No Brasil os psicopatas comumente são considerados semi-imputáveis do ponto de vista jurídico, por entenderem que psicopatas podem ter consciência do caráter ilícito de seus crimes, mas não conseguem evitar a conduta que os leva a praticar o crime, e assim quando condenados, vão para a prisão com a pena diminuída.

Ele não se importa, faz o que deseja, é aquela história do psicólogo canadense, Robert Hare, criador de uma escala para medir os graus de psicopatia, ele afirma que “...gatos e ratos nunca entendem um ao outro. A vantagem do rato sobre as vítimas do psicopata é que ele sabe sempre quem é o gato”... o pesquisador vai além, ao afirmar que as emoções  estão para o psicopata assim como o vermelho está para o daltônico. Ele simplesmente não consegue vivenciá-las, ele não leva em conta a dor da vítima, mas o prazer que sentiu com o crime, ele não experimenta emoções morais.

É emergente a necessidade de novas revisões no sistema judiciário penal e criminal, enfim, uma nova análise para implantação de manicômios judiciários de segurança máxima, equipes multidisciplinares altamente capacitadas, e mudanças através de novas leis, com novas políticas de saúde e segurança pública.


Deijone do Vale
Neuropsicóloga