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sábado, 19 de outubro de 2013

VIVA LEGAL: Sem Alcoolismo...



“A busca de auto transcendência através de drogas ou... umas férias químicas de si mesmo... a maioria dos homens e mulheres levam vidas tão dolorosas – ou tão monótonas, pobres e limitadas, que a tentativa de transcender a si mesmo, ainda que por alguns momentos, é e sempre foi um dos principais apetites da alma”.
(Aldous Huxley, escritor inglês)

A Síndrome de dependência alcoólica é notadamente um grave problema de saúde pública e tem como balanço sinistro uma privilegiada posição no ranking de fatores de risco para a morte prematura.

O álcool é uma droga depressora do SNC (Sistema Nervoso Central), que reduz a nossa atividade cerebral, diminuindo a ansiedade, a atenção, a memorização, a  concentração e reduzindo acentuadamente a atividade motora e a capacidade intelectual.

O uso abusivo altera os estados de consciência, modifica o comportamento provocando danos para o Sistema Nervoso Central (SNC), além do potencial de desenvolver dependência.

Considero o álcool uma das drogas mais negligenciadas, do ponto de vista preventivo, de diagnóstico e de tratamento, pelos profissionais da saúde.

O que leva um indivíduo à dependência do álcool?

Qual é a motivação para utilizá-lo?

Alívio de tensões? Angústia? Tristeza? Fuga? Compulsão? O efeito euforizante? Diminuição das inibições?

Poderíamos elencar uma série ilimitada de motivos para beber, a despeito da evidência clara das consequências nocivas.

Descobrir a motivação que leva um indivíduo a beber é a melhor forma de diagnosticar a doença, e uma ferramenta fundamental para o êxito do tratamento, tanto para a redução dos danos causados a si mesmo e principalmente aos que não bebem.

É inegável o uso elevado na população, em todas as classes sociais, e notório os pesados sofrimentos físicos, morais e psicológicos dos usuários, e de suas famílias.

Basicamente as drogas de abuso, como é o caso do álcool, possuem um mecanismo neurobiológico comum, aumentam a liberação do neurotransmissor dopamina na via mesolímbica, gerando a sensação de prazer, uma via de circuitos neuronais, responsável pelo sistema de recompensa cerebral.

O alcoolismo crônico é geralmente silencioso durante longos anos, preparando sem ruídos, insuficiências viscerais múltiplas e uma degradação progressiva do SNC, sobre cuja base deflagarão  bruscamente quadros de delírio agudo e subagudo.

Às vezes uma simples privação do álcool, basta para desencadear sintomas delirantes violentos, logicamente levando em conta também o feitio pessoal de constituição psíquica.

O álcool tem sido considerado o principal combustível para a violência doméstica.

Estatísticas revelam que metade dos crimes praticados e sessenta por cento dos acidentes de trânsito, as pessoas estavam alcoolizadas, elevando consideravelmente os índices de morbidade e mortalidade.

O que é então o alcoolismo?

Uma doença crônica que traz em seu bojo prejuízos psicossociais, afetivos, familiares e neuropsicológicos, pois afeta diretamente o SNC, desenvolvendo quadros demenciais, déficits cognitivos, afetando a memória, abstração, e as funções executivas (como planejamento, resolução de problemas e ações).

O álcool inibe os disparos neurais e compromete todo o sistema perceptual, causando danos cerebrais como a Síndrome de Wernicke-Korsakoff (transtorno significativo com perda de  memória, caracterizado por amnésia para eventos atuais e passados com desorientação no tempo e no espaço), devido lesões subcorticais e atrofia cortical, principalmente ocasionada pela deficiência de tiamina (vitamina B1).

A adolescência é um período de grande risco para o envolvimento com substâncias psicoativas, como é o caso do álcool, pela necessidade do adolescente ser aceito em seu grupo, sensação de onipotência, início do envolvimento afetivo, aumento da impulsividade e busca de sensações novas.

O risco do  adolescente  abusar de drogas como o álcool, está diretamente relacionado na equação entre o número e o tipo de fatores de risco e fatores de proteção.

Os fatores de proteção, especialmente à família, um bom relacionamento familiar, supervisão e monitoramento dos pais em relação ao comportamento de seus filhos, assim como noções claras de limites, valores familiares, de religiosidade e espiritualidade.

São também fatores de proteção, a escola através do envolvimento em atividades esportivas, a música  e o estímulo ao bom desempenho acadêmico.

Quanto aos fatores de risco podemos assinalar que estes podem variar, desde fatores ambientais, familiares e individuais desfavoráveis, sendo a fácil acessibilidade das drogas na sociedade, um forte fator de risco.

Conflitos e estrutura familiar disfuncional, situações estressantes, baixa auto-estima, agressividade, rebeldia, transtornos  psiquiátricos (depressão, ansiedade e outros transtornos de personalidade e ou comportamental), são gatilhos para o risco.

Abusos físicos ou sexual também são fatores de risco, sexualidade precoce, amigos usuários, enfim, as próprias características genéticas e familiares.

O uso do álcool pelas gerações precedentes tem condicionado necessidade genotípicas precoce e suscetibilidade orgânica.

Como explicar a predisposição para o alcoolismo?

É multifatorial, uma interação de elementos genéticos, psicológicos e ambientais. Essa somatória é que sustenta a dependência alcoólica.

Vamos imaginar as fases da embriaguez representada por três animais: macaco, leão e porco.

Estes  estágios da intoxicação alcoólica obedece a uma sintomatologia:

Fase da Euforia ou do Macaco: todo desinibido, alegre, engraçado e cheio de “macaquices”, loquacidade e aumento da auto-confiança.

Fase da Excitação ou do Leão: o comportamento muda bruscamente, os sintomas estão relacionados com a instabilidade e prejuízos da percepção. O indivíduo torna-se valente, oscilando entre o erotismo e a agressividade que vai cedendo  a um estado emocional de fala arrastada, marcha ziguezagueante com retardo da resposta reativa.

Fase do Estupor ou do Porco: predomina uma inércia generalizada, seguida de vômito e incontinências (vesical e esfincteriana), com prejuízo da consciência, sendo visível o descontrole das funções fisiológicas, em que todo o sistema metabólico expressa a disfunção.

A evolução dos estágios leva o indivíduo ao Coma, devido aos prejuízos do sistema cardiovascular, queda da temperatura corporal, com abolição dos reflexos, o que  caracteriza a possibilidade de evoluir para óbito.

O último estágio certamente é a morte por bloqueio respiratório central.

Decididamente, o alcoolismo é uma doença crônica, onde existe um desejo incontrolável pela bebida, perda de controle (não consegue parar após iniciar) e no período de abstinência apresenta intensa ansiedade e tremores nas extremidades, e finalmente “tolerância” (sempre necessita de maiores quantidades).

Problemas clínicos de toda ordem ocorrem, desde a neuropatia periférica (formigamento e dormência nas mãos e pés), confirmando uma irrigação precária de oxigenação no sangue do individuo.

O sistema gastro intestinal fica falido em consequência das inflamações do esôfago, do estômago, o que poderá levar à sangramento, além de enjôo, vômito e perda de peso.

O fígado é lesionado, como no caso da cirrose hepática, muito comum em alcoolistas crônicos, fibrosando as células hepáticas, e impedindo o fígado de realizar a purificação do sangue, depuração de nutrientes, e o resultado disso é a falência hepática, a ascite, acúmulo de água no abdômen (barriga d’agua), levando o alcoolista lentamente para a morte.

E o coração? pobre coração...  pode apresentar lesões que por sua vez provoca arritmias e  ocorrência de AVE (Acidente Vascular Encefálico), sendo relativamente comum após a ingestão de grandes quantidades de bebida.
 
Álcool e medicamento é outro agravante que afeta as condições clínicas como úlcera gástrica e hipertensão arterial.

O estado mental do alcoolista crônico sofre embotamento da moralidade, apagando da consciência dos bebedores, todo e qualquer sentimento da própria responsabilidade, prejudicando notavelmente a sua adaptação social, tornando-se desagradáveis e inconvenientes através de grosserias e perturbações da conduta moral.

É possível observarmos déficit afetivo sobre o embotamento intelectual, mais embrutecido do que demente,  mas obnubilado do que enfraquecido na sua atividade mental.

Constata-se mais dismnéia que amnésia sendo a memória mais preguiçosa do que ausente, ela está diminuída em seu exercício, mas não abolida em sua existência.

Ressalto a importância de detectar os problemas de uso abusivo o mais cedo possível, pois o trabalho e intervenção precoce poderão reduzir problemas futuros e quanto mais cedo é o uso, maior é o risco de dependência.

O tratamento poderá ser farmacológico, psicológico, com grupos de auto ajuda, através de comunidades terapêuticas, enfim uma ação integrada com equipes multidisciplinares, que promovam estratégias para lidar com a dependência alcoólica de forma objetiva,  persistente e afetiva.

No tratamento é necessário a abordagem de três pilares: o da tolerância, ou seja, que quantidade de bebida o individuo usa para obter o mesmo efeito, o da abstinência, que demonstra o nível de desconforto sentido devido a interrupção da bebida, e os hábitos sociais e recreativos da pessoa, o que o aproxima da bebida.

Lembrando sempre que toda  intervenção deve iniciar primariamente pela desintoxicação, que poderá ser realizada através de medicação, seja no próprio domicilio ou em regime de internação.

Quanto á família do alcoolista, a dinâmica familiar de certa forma, passa a ser regulada pelo comportamento do usuário de álcool, é a co-dependência, sendo necessário suporte psicológico para a família inteira, pois o lar fica alcoólico.

Fecho este artigo, na certeza de que um forte desconforto subjetivo interno tem levado tantos à dependência do álcool, numa tentativa frustada em lidar com o mundo interno e externo.

Mas fica também a certeza de que uma pessoa é capaz de renascer e re-projetar a própria vida em direção à autonomia e à liberdade.

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

terça-feira, 15 de outubro de 2013

INSÔNIA: Você é uma Coruja, ou uma Cotovia?


Todos os meus sentidos sabiam da sua existência: tato, olfato, visão, audição...
Fico em estado de alerta, consciente de sua presença.

Deijone do Vale



Depois de um longo dia repleto de atividades, nada mais reconfortante, que tomar um delicioso banho de espuma, cair na cama, relaxar os músculos, respirar profundamente, desacelerar a mente, fechar os olhos e finalmente adormecer... 

E você, dorme bem? Ou têm insônia?

Durante o sono ocorrem importantes processos metabólicos de extrema importância para o equilíbrio do nosso organismo.

A insônia é um dos distúrbios do sono mais frequentes e atinge cerca de um terço da população adulta.


Quem nunca ouviu a frase? “Cair nos braços de Morfeu?” uma autêntica metáfora dos mitos gregos, sendo Morfeu o deus alado dos sonhos noturnos, filho de Hipnos (deus do sono) e de Nix (deusa da noite). Então? Cair nos braços de Morfeu, sugere literalmente dormir bem e sonhar...


Queixas em manter o sono ao longo da noite, dificuldades em iniciá-lo ou mesmo uma sensação de que o sono não foi reparador e vem causando prejuízo no desempenho de tarefas e comprometendo o bem estar físico e mental dos indivíduos, é preocupante.


Como você avalia a qualidade do seu sono? Você está sempre sonolento? Qual a probabilidade de cochilar sentado? Você cochila vendo TV, em lugares públicos (sala de espera, cinema, reuniões)? 


Se confirmar estas perguntas, é possível uma sonolência severa, que merece ser investigada para se descobrir a hipersonia e ou narcolepsia (sono incontrolável durante o dia com propensão a dormir em momento inapropriado), de origem genética.

Sono é um estado em que se aumenta notavelmente a frequência de descargas dos neurônios, de forma bem maiores do que os observados em vigília, por exemplo, na fisiologia do sono, ocorrem mudanças na pressão arterial e na frequência cardíaca, sendo secretados hormônios em momentos específicos do sono.

Ocorrem também mudanças no ritmo respiratório, tornando-se mais rápida e irregular, com hipo e hiperventilação, surtos apnéicos (quando a pessoa deixa de respirar por períodos de até dois minutos) deixando o cérebro sem oxigênio promovendo pequenos despertares, que interrompem o sono, ou prejudicam a sua qualidade.

O sono é marcado por movimentos rápidos dos olhos conhecido como sono REM, (Rapid Eye Movement), isto indica que alguma coisa ativa ocorre durante o sono, todos os mamíferos tem sono REM, e isto se altera em ciclos regulares, e com o sono não REM. 

Nossos sonhos mais vívidos ocorrem durante a fase do sono REM.

Machos têm ereções e as fêmeas, dilatação do clitóris, apesar do conteúdo do sonho, em sua grande parte, não ter nenhuma conotação sexual.

Desejo deixar claro que a insônia é um sintoma, e como tal requer uma análise cuidadosa do ponto de vista fisiológico, psicológico e social.

Do ponto de vista físico, podemos perceber que a depressão, ansiedade e uso de medicamentos podem ocasionar noites mal dormidas, assim como problemas emocionais e psicológicos, afetivos, pessoais, familiares ou econômicos também o prejudicam.

Transtornos psiquiátricos, falta de atividade, viuvez e aposentadoria, comprometem a qualidade do sono, associado a sintomas de falta de concentração e memória, fadiga e desatenção.

Existem vários distúrbios do sono, desde o incômodo ronco, apnéia crônica, devido obstrução respiratória ou uma interrupção dos sinais nervosos que prejudicam o sono.

O sobrepeso, a obesidade a hipertensão arterial elevada são fatores de risco para a ocorrência de parada cardio-respiratória durante o sono.

Cafeína, bebidas alcoólicas e tabagismo dificultam e impedem um sono eficaz.

Bruxismo é outro distúrbio do sono, onde se rangem os dentes de forma inconsciente, assim como a síndrome das pernas inquietas, que promovem um irresistível movimento dos membros inferiores durante o sono.

Temos um relógio biológico, que é moldado geneticamente, mas também dependem de fatores externos: vida social e até do tipo de colchão e do travesseiro que você dorme.

É exatamente enquanto dormimos, que o nosso fantástico cérebro comanda a produção de hormônios como é o caso da melatonina (hormônio produzido pela glândula pineal), geralmente ele começa ser sentido assim que o sol se põe, avisando ao nosso organismo que iremos “dormir”, geralmente nossa temperatura cai, baixa a pressão arterial e daí para cochilar é um piscar de olhos.

Quando dormimos um sono profundo as proteínas são sintetizadas em grande escala, expandindo as redes neuronais ligadas à memória e ao aprendizado.

Um verdadeiro exército de reconstrução atua regenerando nossas células, eliminando o estresse, impedindo que o organismo acumule altos níveis de cortisona (hormônio produzido pelas glândulas supra-renais).

No nosso sono de cada dia, o hormônio do crescimento continua a ser liberado, mesmo na fase adulta, logicamente, em doses menores, mas ajuda a evitar a flacidez e perda  do  vigor  físico.


Durante o processo do sono, nosso organismo se livra facilmente dos radicais livres que causam o envelhecimento precoce e até tumores.

Durma bem, e garanta a liberação de leptina (hormônio que controla a sensação de saciedade), evitando o sobrepeso e a obesidade.


Dormir e sentir-se restaurado em sua energia e vitalidade, promove melhoria no sistema de imunidade, através da liberação de substâncias denominadas interleucinas que ajudam a defender nosso organismo de vírus e bactérias.

E aí? Você é uma coruja noturna ou uma madrugadora cotovia?Os indivíduos que possuem maior energia ao entardecer apresentam temperatura corporal fria e lenta pela manhã e ganham calor e energia pela noite, são como corujas notívagas.


Você é uma cotovia como eu?  Gosta de acordar cedo, não importando o horário em que foi dormir?

Isso é devido aos nossos relógios biológicos que dão o ritmo ao nosso sono, nos informando quanto tempo necessitamos dormir.

Tão importante quanto dormir, é saber práticas que podem nos conduzir a uma boa noite de sono.

Além de aprender a relaxar, esquecendo os problemas na hora de dormir, podemos preparar um delicioso suco de maracujá com erva-cidreira, um chá de hortelã com camomila ou um copo de leite quente adoçado com uma colher de mel, irão ajudá-lo a relaxar e prepará-lo para o sono.

Desenvolva uma boa higiene do sono, tenha um ambiente agradável no seu quarto, regule a temperatura, a quantidade de luminosidade, o cheiro, o silêncio e a limpeza.

Evite ruídos que incomodam, evite falar ao telefone na cama, retire a TV do quarto, nunca coma na cama, a menos que esteja doente ou impossibilitado por alguma razão, assim o seu inconsciente começa a decodificar o seu movimento para dormir, e o seu organismo começará a relaxar.

Ouça uma música suave, ore, medite e vista uma roupa confortável para dormir, coerente com a temperatura do ambiente.


O objetivo é conseguir que o seu cérebro associe a sua cama e o seu quarto com o lugar aonde você dorme.

Reconhecemos os distúrbios do sono pelas alterações do nosso humor, alterações cognitivas (mentais), físicas e psicológicas, que vão desde alterações das emoções, aprendizado, raciocínio e pensamentos,  até disfunções hormonais.


Ficar sem dormir ou dormir mal é algo que ocorre a cada noite, para milhares de pessoas,  que transitam no reino silencioso e desesperador da insônia.

Busque ajuda, não tenha mais noites em claro e dias difíceis.

Você merece descanso, atividade cerebral adequada e bons sonhos...



Boa noite!




Deijone do Vale                         

Neuropsicóloga