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domingo, 15 de dezembro de 2013

LOUCURA E RAZÃO: Gavetas da Alma...

Acredita em anjo?
Pois é, sou o seu!
Além de anjo, eu poderia ser seu amor...
                                                                                             Deijone do Vale



A loucura, por mais paradoxal que pareça tem uma finalidade biológica específica: está a serviço da preservação individual.

Homens e ratos reagem a uma ameaça ou provocação através de duas formas bem definidas: fuga ou agressão, uma resposta biológica automática no sentido da preservação.

Se preferirmos a fuga, nos afastamos do elemento provocador, mas se o impulso é o ataque ou luta, a reação imediata é a irritação e hostilidade.

Ataque ou fuga?  Raiva ou defesa?

Fuga ou agressão são na verdade funções inibitórias, na vida humana principalmente, e isto se torna claro e plenamente justificado em nossa realidade emocional.

Veja como o coelho foge rápido, a tartaruga se retrai sob o seu casco, e nós humanos que somos, ao tentar escapar ou enfrentar realidades penosas, desenvolvemos o quê?

Desenvolvemos conflitos, ansiedades, sentimentos de frustração e outras insatisfações, aí nos neurotizamos ou enlouquecemos de vez, logicamente cada qual dentro de seu limiar de tolerância individual para o paradigma: luta/fuga...

Sempre que nos vemos ameaçados por um perigo, seja externo ou interno, real ou imaginário, nos mobilizamos fisiologicamente e psicologicamente no sentido da fuga ou ataque.

Cada indivíduo reage de conformidade com a sua constelação emocional, suas vivências, estrutura do ego, com suas capacidades de controle, julgamento e decisões, tudo isso intensificado pelas influências ambientais, interpessoais, temperamentais, morais, e uma multiplicidade complexa de fatores, desde capacidade intelectual, talentos, fatores culturais, crenças e o próprio contexto no qual se encontra inserido.

Desse coquetel emocional resulta um ser único, inigualável e com necessidades emocionais profundas, aliadas à imagem ideal que cria para si mesmo, sem se ater às exigências eternizadas pela educação que nos modelam, condicionam e nos civiliza.

Então o que fazemos? Tudo! Para ver se controlamos a nossa rebelião raivosa (ou não?).

Lançamos mão dos nossos mecanismos de defesa que controlam os impulsos instintivos e as emoções primárias, que vão desde mecanismos de repressão (quando banimos o impulso da consciência), como também mecanismos de supressão (quando ele é consciente, mas o suprimimos).

E dá-lhe mecanismos de defesa: Negação (negamos nossas emoções inaceitáveis), outro mecanismo é a formação reativa (uma fachada totalmente oposta à nossa realidade profunda).

Racionalizamos, justificando com lógicas impecáveis os nossos sentimentos, pensamentos e ações inaceitáveis e porque não procrastinar? Outro mecanismo de defesa usado para evitar o confronto.
E o mecanismo de projeção, então? onde atribuo ao outro, aquilo que na verdade é meu, projetando no outro, algo que pertence a mim mesmo.

E por aí vai... são tantos mecanismos de defesa do ego ou de adaptação psicológica, como a sublimação, por exemplo, que nos permite de certa forma temperar a dureza de nossa realidade interna e expressá-la sob uma forma mais aceitável socialmente.

Até o próprio humorismo funciona como mecanismo de defesa, é o caso do condenado ao enforcamento que ao subir ao cadafalso, solenemente se exprime: “Espero que eu agora aprenda a lição!”.

As atitudes exibidas na vida adulta, obedece  a dinâmica da história de vida individual, ou seja, são os recursos adaptativos psicológicos, que utilizamos como uma forma de salvaguardar a autoestima, caso contrário enlouqueceríamos todos, nesta dissociação entre o aspecto normal da personalidade, que de vez em quando aparece lado a lado com o contingente patológico.

Vicent Van Gogh retratou magistralmente no quadro: “Diante da eternidade”, com seu pincel, um homem triste, pessimista, desanimado, ansiado com o seu destino espiritual, totalmente preocupado com seus pecados reais e imaginários.

Quando perdemos a razão? Quando nos alienamos? Será quando somos dominados por paixões intensas? Paixões extravagantes? Louco amor?

Lógico que nossas emoções são indispensáveis para a nossa racionalidade, para os processos neurais,  expressos em nossa mente.

Mente e corpo, uma unidade indivisível, um influenciando o outro, através das emoções que se expressam e modelam nossas respostas comportamentais, refletindo ou não o uso da razão.
Se tivermos um déficit em nosso comportamento emocional, é bem possível que teremos dificuldades em tomar decisões racionais.

Existe influência das emoções, quando tomo uma decisão ou deixo de tomá-la, mas fica o questionamento: “Será  que uma decisão  é a resultante de um comportamento puramente racional?

Voltamos ao argumento anátomo-fisiológico, aos processos cerebrais, suas estruturas que desencadeiam emoções inatas e emoções aprendidas, por exemplo: Qual seria o substrato neural que envolve emoções em um sorriso espontâneo?

Seriam as mesmas estruturas em um sorriso intencional?

Difícil separar razão da emoção ou vice-versa, o que fica evidente é que nossas emoções possibilitam o equilíbrio na tomada de decisões.

Equacionar razão e emoção não é tarefa fácil, quando estas estão em desequilíbrio, nos fragiliza.

Você é daqueles que acredita que o racional fortalece? Será que quando somos muito racionais, isto não sinaliza a pouca disponibilidade para lidar com situações emocionais?

Como será o seu  duelo interno entre razão e emoção?

Dificil, não? esta homeostase do nosso ser no mundo, pois entre razão e emoção existe alguém singular: Você!

Em síntese, quanto mais amadurecemos emocionalmente, mais estáveis e flexíveis serão nossos ajustamentos frente às pressões ambientais e que tocam nossos pontos vulneráveis e assim reagimos por uma mobiização, no sentido da luta e fuga, então, voltamos ao ponto inicial de nossa questão...

Mas sempre apareceram, por mais que disfarcemos as nossas realidades inaceitáveis: seja através do corpo, das atitudes, dos sentimentos, dos instintos, ou nas expressões fisionômicas e nos sintomas psicossomáticos.

Nem sempre é o externo, a imagem introjetada é que dimensiona a ameaça transformada em um estímulo aterrador, que fica impresso na nossa memória emocional.

Dá o que pensar, e isso me recorda um verso, do poema de Paulo Leminski, que diz: “...todo bairro tem um louco

Que o bairro trata bem
Só falta mais um pouco,
Pra eu ser tratado também”...

É exatamente essa, a diferença entre esquecer e não querer mais lembrar, infelizmente tem coisas que violam indelevelmente a nossa alma, e uma delas é o sentimento represado.

Se pudesse, cantaria: “Parabéns prá você....” , mas fico apenas com a frase dita por Bob Marley, o difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se ama. Eu desisti: mas não pense que não foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer.
Parabéns!

Ouça a música: Orchidea...
Deijone do Vale
Neuropsicóloga

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

CONSCIÊNCIA E EMOÇÕES: no Câncer de Mama...


 
“Todo homem é, sob certos aspectos,
                                                      como todos os homens
                                                      como certos homens
                                                      como nenhum outro homem”
                                                                      (Kuchhou e Murray, 1953)
 
Ajudar a redesenhar novas possibilidades, desmistificar imagem e conceitos estereotipados do estigma sobre o câncer de mama, é tecer a experiência humana de viver.



Entender os fatores sociais, culturais, individuais e psicológicos do processo de adoecer, buscar a cura, a prevenção, a ressignificação da vida,  é desafiador.

É emergente combater o imobilismo, a auto-limitação, eliminar idéias preconcebidas e de cunho discriminativo, arregaçar as mangas e prosseguir sempre, não desistindo nunca.

Câncer? Tem? Já teve?

Normalmente qualquer doença é vista como negativismo, algo externo, que nos ataca e desorganiza nossa vida, trazendo transtornos de toda ordem.

Partindo do pressuposto de que o medo da morte ciranda a questão do adoecer, é importante dizer que o câncer como doença, possui um forte estigma da morte.

Qual a sua responsabilidade pelo adoecimento?

Se sente uma vítima do destino?

Quando adoecemos, geralmente existe uma possibilidade de reflexão e reorganização no ritmo de nossas vidas.

Ocorrem mudanças em nós mesmos, em nossos relacionamentos, no nosso estilo de vida, e algumas questões emergem ameaçando nossa confiança e comprometendo a segurança.

O que eu fiz na minha vida até agora?

O que me realizou como pessoa?
 
O que me falta?
 
Câncer, por que eu?
 
E nessas especulações, acabamos percebendo que o nosso organismo não está separado de nossas experiências de vida.

Câncer de mama, o que é?
 
Na verdade o nome câncer é um termo genérico  que é utilizado  para uma variedade de doenças caracterizadas por apresentarem alterações nas funções de gens, que são responsáveis pelo crescimento, regulação e amadurecimento, morte e renovação das nossas células no organismo.
 
Câncer de mama é a multiplicação anormal das células da mama, elas vão substituindo o tecido saudável e pode atingir outros órgãos.
 
Aparecem alterações, como nódulos nas mamas e axilas, mudanças no formato, tamanho e bico do seio, com ou sem irritação ou dor local.
 
A pele da mama pode ficar vermelha ou ter o aspecto de casca de laranja ou apresentar secreção no mamilo.
 
O câncer de mama é o segundo mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres, no entanto homens também podem ter câncer de mama.
 
Através da doença, nosso corpo está dizendo algo a nosso respeito e a respeito da nossa vida.
 
Os seres humanos gostam de receber boas notícias e receber um diagnóstico de câncer, geralmente nos abate, nos estressa e traz angústia emocional.
 
Quando ouvimos que o diagnóstico é câncer, basicamente já nos vemos deitadas no caixão... só pensamos em  morte...sentença de morte!
 
O câncer de mama tem cura, o agravante é quando o tumor só é detectado em estágio tardio.
 
A prevenção é uma medida importante na detecção de nódulos, pode ser através da mamografia  que ainda é a melhor técnica  para o diagnóstico, permitindo visualizar nódulos não palpáveis e detectar a doença em seu estágio inicial, aumentando consideravelmente a probabilidade de cura.

O que causa o câncer de mama?
 
Ainda é desconhecida, mas o histórico familiar é um fator influente, assim como a menopausa tardia (após os 50 anos), a primeira gravidez após os trinta anos, a nuliparidade (não ter filhos), e outros fatores de risco como o  consumo excessivo de álcool, cigarros, predisposição genética, estilos de vida, hábitos alimentares e condições ambientais.
 
Existem ações preventivas que também funcionam como fatores de proteção, praticar atividades físicas, amamentação, controle  do peso corporal entre outras.
 
É preciso desmistificar o fato de que todos os pacientes com câncer sofrem muitíssimo e tem morte dolorosa, naturalmente tristeza e pesar são reações que observamos, seja no diagnóstico, durante e após o tratamento.
 
Dependendo do feitio pessoal vai da tristeza até um transtorno de adaptação do tipo depressivo ou até uma depressão maior.

Geralmente surgem sentimentos de insegurança, medo, inconformismo, gerando no paciente e nos familiares um desânimo frente esta realidade dura de se enfrentar.

O câncer de mama atinge a feminilidade da mulher, sua auto-imagem e a própria sexualidade.

Mamas é um símbolo extremamente narcísico, pois simboliza a identidade feminina, tanto da maternidade, sexualidade, segurança e refúgio e também como o primeiro objeto de amor entre mãe e filho.

Somos uma unidade mente-corpo e naturalmente as alterações fisiológicas acompanham os componentes emocionais e geralmente as reações dos pacientes frente ao diagnóstico, são também representações de seu mundo interno, o qual sofre influência de sua história de vida, do contexto familiar e social.

É relevante observarmos os estados emocionais do paciente porque de certa forma estes refletem bem ou mal as modificações funcionais, biológicas e orgânicas dos indivíduos.

Podemos até inferir que uma doença de certa forma expressa situações de crise, sendo a mesma uma expressão máxima de algo não resolvido do ponto de vista de crise existencial, é o como, o indivíduo responde organicamente uma situação traumática ou conflituosa, através do adoecer.

Geralmente o adoecer é um dedo apontando para os nossos sentimentos de imortalidade e onipotência.

Deve-se manter a rotina, os afazeres do cotidiano, pois o mundo em que vivemos é formado por alegrias, tristezas, vitórias, derrotas, saúde, doenças, vida e morte.
 
Ainda temos que levar em conta as variáveis individuais da personalidade, crenças, cultura, e até o apoio disponível e condições sócio- econômicas.
 
Vivenciar a dolorosa experiência de um câncer, apesar de difícil, muitas vezes tem contribuindo para um importante desenvolvimento pessoal e interpessoal.
 
É exatamente em momentos difíceis do nosso mundo real, é que aprendemos e amadurecemos, e o câncer, assim como todas as outras doenças, faz parte do mundo real.
 
É importante levar avante o tratamento, seja cirúrgico, quimioterápico ou radioterápico ou a combinação desses tratamentos.
 
Um mulher mastectomizada, que teve um ou dois seios retirados, pode sentir-se inferiorizada e até mesmo inadequada em relação à sua aparência, em um mundo que valoriza e prioriza a exposição do corpo e a beleza, mais do que a saúde.
 
Diante de um quadro de ameaça à vida, questões de beleza e meramente estéticas passam para um segundo plano e o que ganha realce é a recuperação da saúde, superação da ansiedade em relação à morte e recidiva do câncer, levante uma bandeira pela vida.
 
Que avaliação você faz de si? Medrosa? Independente? Corajosa?
 
Desconfiada? Indefesa? Persistente e bem-humorada?
 
Olhe-se no espelho... se encare de frente... o que vê?
 
Identifique suas forças... escolha a assertividade, decida qual é o seu valor.
 
Pare de destruir padrões saudáveis, deixe o sedentarismo, deixe o alcoolismo, deixe o cigarro e tantos outros hábitos nocivos.
 
Não cultive a culpa, mas procure ter consciência de si mesmo e você será capaz de reagir, ou pelo menos tentar.
 
Escolha a atitude que você terá, ela fará toda a diferença, peça ajuda para compreender suas dúvidas e se reorganize a partir da própria doença.
 
Sorria! O riso é um bom ponto de equilíbrio interno, funciona até como defesa, um apoio inestimável para nossos apuros, assim como as lágrimas.
 
A ciência vem avançando na luta contra o câncer, no entanto ainda é uma doença de grande impacto e sofrimento, exigindo terapêutica imediata e condutas multidisciplinares e de alta complexidade.
 
É também enorme o impacto financeiro, e os conflitos emocionais decorrentes da singularidade de cada sujeito.
 
 
As condutas terapêuticas englobam suporte para reorganizar a vida com a sua factível impermanência ou im(possibilidade).
 
Como enfrentar tantas incertezas?
 
A indefinição em relação à cura, o fantasma da recidiva, o impacto do diagnóstico e o enfrentamento da doença, são fatores peculiares a cada pessoa diante da finitude, ou seja, nos coloca cara a cara com a morte, uma possibilidade constante em nossas vidas.
 
As fantasias do paciente no sentido de ter uma morte iminente, as motivações subjetivas, o grau de adaptação frente às limitações decorrentes do tratamento, são fatores que devem ser analisados na construção das estratégias de intervenção no mundo físico e psicológico de cada um.

Paro por aqui, por enquanto, e diante de tantas limitações, não é difícil profetizar a transitoriedade da vida e o caráter provisório de nossos corpos.

 
Deijone do Vale
Neuropsicóloga


domingo, 10 de novembro de 2013

O CHEIRO DAS MANDRÁGORAS: a onde foi o amor?




Para você,
 Que me disse que os dragões não existiam, e depois me levou até suas tocas...

Mandrágoras? Sim, mandrágoras... uma planta fascinante e que desperta o meu imaginário.

Sempre me surpreendeu as citações bíblicas sobre as mandrágoras nos Livros de Gênesis  (30:15) e em Cantares (7:13).

Que coisa! Trocar mandrágoras por uma noite com Jacó... Léia e Raquel...  esposas...

Para que serviriam as mandrágoras para Raquel?
Abdicou-se de seu direito daquela noite com Jacó e trocou-a pelas Mandrágoras de Léia...

A onde foi o amor?

O nome hebraico para mandrágoras é “dudhaim”, formado pela mesma raiz da palavra hebraica: amor...

Bem, mandrágoras são plantas originárias da região do Mediterrâneo e são-lhes atribuídas propriedades medicinais.

Consideradas afrodisíacas, algo que restaura ou excita a energia sexual, é também alucinógena, pois provoca falsas percepções, ilusões e fantasias.

Dizem que mandrágoras tem efeito analgésico, produzindo analgesia, suprimindo a dor.

Será que Raquel sentia dor? Ou só queria gerar filhos?
Mandrágoras... tem  propriedade narcótica, produz narcose, induzindo ao sono e ao relaxamento muscular.

Uma planta no mínimo fantástica: afrodisíaca, analgésica, alucinógena e narcótica.

Imagino que sua citação no Livro de Cantares refere ao seu perfume, um odor inconfundível e talvez pela sua raridade.

Certamente receber Mandrágoras expressasse uma declaração de amor, da nossa versão moderna de oferecer rosas vermelhas para quem amamos.

Que planta é essa que despertaria tanto desejo em Raquel ao ponto de negociar uma noite com Jacó?

Suas citações nos textos bíblicos estão relacionadas, à romance, fecundidade e paixão.

Será? Shakespeare também a citou em Romeu e Julieta. É o narcótico bebido por Julieta...  esta ficou como morta...

Como será o cheiro das Mandrágoras? A onde está o amor?

E quando o assunto é sexo e amor,  pode apostar, outros fatores invadem o contexto e ganham contornos astronômicos, triplicando preconceitos e outras normativas que regem este reino.

Já viu coisa mais cruel: desejar algo, mas não suportar aceitar esse desejo? É o limite dos limites,  o preconceito consigo mesmo.  Auto-imposição?

Pense... Viver a vida com o pesado fardo da autocrítica, remoendo conflitos que bloqueiam o querer e congelam sentimentos.

Quer saber mesmo? Se você se perguntar se vai dar com os burros n’água, por exemplo, ao se apaixonar por alguém bem mais jovem, a resposta é: certamente!

Por quê? Porque relacionamento é algo que pode ser horrível ou muitíssimo bom, não é necessariamente a idade cronológica dos parceiros, é muito mais, é a maturidade dos envolvidos.

A vida não é uma equação perfeita e nem dá para ter garantias exatas, ou matematicamente calculada.

E se você se apaixonar por alguém cujas características esbarram em seus preconceitos?

Aí está uma excelente oportunidade de resolver suas dúvidas, que por sua vez, se contrapõe às regras, tabus, métodos, repressões, algemas e outras prisões.

Possivelmente, você irá se abrir para o surpreendente.
Logicamente, não iremos ignorar intuições e percepções sobre o outro, como irresponsabilidades, falhas morais e de caráter, ou qualquer constatação desfavorável que comprometa a essência, mais isso nada tem a ver com cronologia, afinal alguém já afirmou: “amor não tem cor e nem idade”.

Você é refém do tempo?  Medo de se arriscar? É... brincar com facas pode ser perigoso.

Reavalie suas crenças e não fique paralisado, você pode fugir sim, mas se decidir pagar para ver,  correrá um sério risco, o de ser tremendamente feliz.
Você é livre para pensar e sentir?

Cuide  de seus pensamentos, eles determinam registros de memória e alicerçam as bases de sua personalidade.

Nossos transtornos emocionais, nossas rejeições, perdas, conflitos, estresse, frustrações, são zonas de tensão que bloqueiam e aprisionam nossas emoções.
Quantos registros doentios ficaram em nossa memória emocional?

Quantas algemas estão cravadas em nossa alma? Culpa? Vergonha? Raiva? Medo? Insegurança? Ansiedade? Revolta?

São nossas emoções encarceradas em algum porão sombrio da mente.

Construímos muralhas psíquicas em lugares inacessíveis e reprimimos nossas vontades.

Condensamos em nosso mundo interno, momentos de des-continuidade, reproduzindo um conformismo pesado.

No entanto, a nossa imaginação é capaz de atravessar qualquer prisão, e a face humana revelar muito mais do que é possível tentar esconder.

Escolha! Um carrasco interno?  Ou liberdade?  

Quem  somos?  Quem  queremos ser? Com quem andamos? Qual é a oportunidade de hoje?  Superação?

Para você alguém é um fracasso quando... e  aí?
Como disse Charles Spurgeon:: “Não sejas todo açúcar, pois o mundo te tragaria; não sejas todo vinagre, pois o mundo te vomitaria”

Ser como as  mandrágoras: adormecer, fazer sonhar, relaxar, acalmar a dor e por fim revigorar.

É interessante observar como o amor e o desejo sexual ativam áreas específicas do nosso cérebro, particularmente a ínsula.

Ocorrem mudanças na bioquímica cerebral, desde que olhamos para quem gostamos, nos aproximamos, sentimos o cheiro e até nos conectamos com indivíduos que possuem uma identidade imunológica parecida com a nossa.

Viver um grande amor para sempre, é a suprema graça. Um amor “ad eternum”.

Pesquisas das neurociências revelam uma espécie de “mapa amoroso” em nosso cérebro, idêntico aos dos arganazes e cisnes que mantêm os mesmos parceiros por toda a vida. O  problema é que são poucos a encontrar tal mapa.

Claro que cultivar uma paixão saudável depende também de outros fatores, como a capacidade dos parceiros se olharem “olhos nos olhos”, cultivar o bom humor, e perdoar.

Perdoar? Sempre...  absolutamente perdoar.
E nada de relativizar as dificuldades, mas manter uma disposição mental de total comprometimento com o outro.

Apaixonados liberam maiores quantidades de dopamina que ativam os centros de recompensa dos circuitos neurais, produzindo prazer, uma sensação fisiológica inconfundível de satisfação e plenitude emocional.

E finalmente, não vemos o que vemos, vemos o que somos:  é por isso que o teu amor me fascina!


Deijone do Vale
Neuropsicóloga

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Autoestima e Saúde - Palestra Ministrada na AGU

Unidades da AGU em Goiânia realizam evento em homenagem ao Dia do Servidor Público


Data da publicação: 04/11/2013

A Procuradoria da União juntamente com a Consultoria Jurídica da União e a Escola da AGU em Goiás prestaram homenagem aos servidores em comemoração ao Dia do Servidor Público, 28/10.

A homenagem teve início com uma exposição musical, acompanhada de "acordeão" executada pelo Músico Marcos Vinicius Galvão Pereira, oportunidade em que os servidores puderam aprender sobre a origem desse instrumento milenar e cantar músicas de raiz como Asa Branca, de Luiz Gonzaga, Mandacaru, Chalana e outras da cultura brasileira.

Em seguida, os servidores participaram da palestra com o tema "Autoestima e Saúde", ministrada pela Neuropsicóloga Dra. Deijone do Vale Morais, momento oportuno para uma reflexão pessoal e a respeito das diferenças de cada indivíduo, principalmente no ambiente de trabalho.

Após a palestra, os servidores presentes cantaram os parabéns e confraternizaram com um lanche especial.

"Queremos destacar o espírito de participação tão marcante que envolveu cada um dos presentes, formando um ambiente alegre e descontraído. Não poderia ser diferente! Afinal aquele foi um momento especialmente preparado para todos nós", disse a servidora Rosilene Pinto de Lima Silva.


Para maiores informações acesse site oficial AGU



sábado, 19 de outubro de 2013

VIVA LEGAL: Sem Alcoolismo...



“A busca de auto transcendência através de drogas ou... umas férias químicas de si mesmo... a maioria dos homens e mulheres levam vidas tão dolorosas – ou tão monótonas, pobres e limitadas, que a tentativa de transcender a si mesmo, ainda que por alguns momentos, é e sempre foi um dos principais apetites da alma”.
(Aldous Huxley, escritor inglês)

A Síndrome de dependência alcoólica é notadamente um grave problema de saúde pública e tem como balanço sinistro uma privilegiada posição no ranking de fatores de risco para a morte prematura.

O álcool é uma droga depressora do SNC (Sistema Nervoso Central), que reduz a nossa atividade cerebral, diminuindo a ansiedade, a atenção, a memorização, a  concentração e reduzindo acentuadamente a atividade motora e a capacidade intelectual.

O uso abusivo altera os estados de consciência, modifica o comportamento provocando danos para o Sistema Nervoso Central (SNC), além do potencial de desenvolver dependência.

Considero o álcool uma das drogas mais negligenciadas, do ponto de vista preventivo, de diagnóstico e de tratamento, pelos profissionais da saúde.

O que leva um indivíduo à dependência do álcool?

Qual é a motivação para utilizá-lo?

Alívio de tensões? Angústia? Tristeza? Fuga? Compulsão? O efeito euforizante? Diminuição das inibições?

Poderíamos elencar uma série ilimitada de motivos para beber, a despeito da evidência clara das consequências nocivas.

Descobrir a motivação que leva um indivíduo a beber é a melhor forma de diagnosticar a doença, e uma ferramenta fundamental para o êxito do tratamento, tanto para a redução dos danos causados a si mesmo e principalmente aos que não bebem.

É inegável o uso elevado na população, em todas as classes sociais, e notório os pesados sofrimentos físicos, morais e psicológicos dos usuários, e de suas famílias.

Basicamente as drogas de abuso, como é o caso do álcool, possuem um mecanismo neurobiológico comum, aumentam a liberação do neurotransmissor dopamina na via mesolímbica, gerando a sensação de prazer, uma via de circuitos neuronais, responsável pelo sistema de recompensa cerebral.

O alcoolismo crônico é geralmente silencioso durante longos anos, preparando sem ruídos, insuficiências viscerais múltiplas e uma degradação progressiva do SNC, sobre cuja base deflagarão  bruscamente quadros de delírio agudo e subagudo.

Às vezes uma simples privação do álcool, basta para desencadear sintomas delirantes violentos, logicamente levando em conta também o feitio pessoal de constituição psíquica.

O álcool tem sido considerado o principal combustível para a violência doméstica.

Estatísticas revelam que metade dos crimes praticados e sessenta por cento dos acidentes de trânsito, as pessoas estavam alcoolizadas, elevando consideravelmente os índices de morbidade e mortalidade.

O que é então o alcoolismo?

Uma doença crônica que traz em seu bojo prejuízos psicossociais, afetivos, familiares e neuropsicológicos, pois afeta diretamente o SNC, desenvolvendo quadros demenciais, déficits cognitivos, afetando a memória, abstração, e as funções executivas (como planejamento, resolução de problemas e ações).

O álcool inibe os disparos neurais e compromete todo o sistema perceptual, causando danos cerebrais como a Síndrome de Wernicke-Korsakoff (transtorno significativo com perda de  memória, caracterizado por amnésia para eventos atuais e passados com desorientação no tempo e no espaço), devido lesões subcorticais e atrofia cortical, principalmente ocasionada pela deficiência de tiamina (vitamina B1).

A adolescência é um período de grande risco para o envolvimento com substâncias psicoativas, como é o caso do álcool, pela necessidade do adolescente ser aceito em seu grupo, sensação de onipotência, início do envolvimento afetivo, aumento da impulsividade e busca de sensações novas.

O risco do  adolescente  abusar de drogas como o álcool, está diretamente relacionado na equação entre o número e o tipo de fatores de risco e fatores de proteção.

Os fatores de proteção, especialmente à família, um bom relacionamento familiar, supervisão e monitoramento dos pais em relação ao comportamento de seus filhos, assim como noções claras de limites, valores familiares, de religiosidade e espiritualidade.

São também fatores de proteção, a escola através do envolvimento em atividades esportivas, a música  e o estímulo ao bom desempenho acadêmico.

Quanto aos fatores de risco podemos assinalar que estes podem variar, desde fatores ambientais, familiares e individuais desfavoráveis, sendo a fácil acessibilidade das drogas na sociedade, um forte fator de risco.

Conflitos e estrutura familiar disfuncional, situações estressantes, baixa auto-estima, agressividade, rebeldia, transtornos  psiquiátricos (depressão, ansiedade e outros transtornos de personalidade e ou comportamental), são gatilhos para o risco.

Abusos físicos ou sexual também são fatores de risco, sexualidade precoce, amigos usuários, enfim, as próprias características genéticas e familiares.

O uso do álcool pelas gerações precedentes tem condicionado necessidade genotípicas precoce e suscetibilidade orgânica.

Como explicar a predisposição para o alcoolismo?

É multifatorial, uma interação de elementos genéticos, psicológicos e ambientais. Essa somatória é que sustenta a dependência alcoólica.

Vamos imaginar as fases da embriaguez representada por três animais: macaco, leão e porco.

Estes  estágios da intoxicação alcoólica obedece a uma sintomatologia:

Fase da Euforia ou do Macaco: todo desinibido, alegre, engraçado e cheio de “macaquices”, loquacidade e aumento da auto-confiança.

Fase da Excitação ou do Leão: o comportamento muda bruscamente, os sintomas estão relacionados com a instabilidade e prejuízos da percepção. O indivíduo torna-se valente, oscilando entre o erotismo e a agressividade que vai cedendo  a um estado emocional de fala arrastada, marcha ziguezagueante com retardo da resposta reativa.

Fase do Estupor ou do Porco: predomina uma inércia generalizada, seguida de vômito e incontinências (vesical e esfincteriana), com prejuízo da consciência, sendo visível o descontrole das funções fisiológicas, em que todo o sistema metabólico expressa a disfunção.

A evolução dos estágios leva o indivíduo ao Coma, devido aos prejuízos do sistema cardiovascular, queda da temperatura corporal, com abolição dos reflexos, o que  caracteriza a possibilidade de evoluir para óbito.

O último estágio certamente é a morte por bloqueio respiratório central.

Decididamente, o alcoolismo é uma doença crônica, onde existe um desejo incontrolável pela bebida, perda de controle (não consegue parar após iniciar) e no período de abstinência apresenta intensa ansiedade e tremores nas extremidades, e finalmente “tolerância” (sempre necessita de maiores quantidades).

Problemas clínicos de toda ordem ocorrem, desde a neuropatia periférica (formigamento e dormência nas mãos e pés), confirmando uma irrigação precária de oxigenação no sangue do individuo.

O sistema gastro intestinal fica falido em consequência das inflamações do esôfago, do estômago, o que poderá levar à sangramento, além de enjôo, vômito e perda de peso.

O fígado é lesionado, como no caso da cirrose hepática, muito comum em alcoolistas crônicos, fibrosando as células hepáticas, e impedindo o fígado de realizar a purificação do sangue, depuração de nutrientes, e o resultado disso é a falência hepática, a ascite, acúmulo de água no abdômen (barriga d’agua), levando o alcoolista lentamente para a morte.

E o coração? pobre coração...  pode apresentar lesões que por sua vez provoca arritmias e  ocorrência de AVE (Acidente Vascular Encefálico), sendo relativamente comum após a ingestão de grandes quantidades de bebida.
 
Álcool e medicamento é outro agravante que afeta as condições clínicas como úlcera gástrica e hipertensão arterial.

O estado mental do alcoolista crônico sofre embotamento da moralidade, apagando da consciência dos bebedores, todo e qualquer sentimento da própria responsabilidade, prejudicando notavelmente a sua adaptação social, tornando-se desagradáveis e inconvenientes através de grosserias e perturbações da conduta moral.

É possível observarmos déficit afetivo sobre o embotamento intelectual, mais embrutecido do que demente,  mas obnubilado do que enfraquecido na sua atividade mental.

Constata-se mais dismnéia que amnésia sendo a memória mais preguiçosa do que ausente, ela está diminuída em seu exercício, mas não abolida em sua existência.

Ressalto a importância de detectar os problemas de uso abusivo o mais cedo possível, pois o trabalho e intervenção precoce poderão reduzir problemas futuros e quanto mais cedo é o uso, maior é o risco de dependência.

O tratamento poderá ser farmacológico, psicológico, com grupos de auto ajuda, através de comunidades terapêuticas, enfim uma ação integrada com equipes multidisciplinares, que promovam estratégias para lidar com a dependência alcoólica de forma objetiva,  persistente e afetiva.

No tratamento é necessário a abordagem de três pilares: o da tolerância, ou seja, que quantidade de bebida o individuo usa para obter o mesmo efeito, o da abstinência, que demonstra o nível de desconforto sentido devido a interrupção da bebida, e os hábitos sociais e recreativos da pessoa, o que o aproxima da bebida.

Lembrando sempre que toda  intervenção deve iniciar primariamente pela desintoxicação, que poderá ser realizada através de medicação, seja no próprio domicilio ou em regime de internação.

Quanto á família do alcoolista, a dinâmica familiar de certa forma, passa a ser regulada pelo comportamento do usuário de álcool, é a co-dependência, sendo necessário suporte psicológico para a família inteira, pois o lar fica alcoólico.

Fecho este artigo, na certeza de que um forte desconforto subjetivo interno tem levado tantos à dependência do álcool, numa tentativa frustada em lidar com o mundo interno e externo.

Mas fica também a certeza de que uma pessoa é capaz de renascer e re-projetar a própria vida em direção à autonomia e à liberdade.

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

terça-feira, 15 de outubro de 2013

INSÔNIA: Você é uma Coruja, ou uma Cotovia?


Todos os meus sentidos sabiam da sua existência: tato, olfato, visão, audição...
Fico em estado de alerta, consciente de sua presença.

Deijone do Vale



Depois de um longo dia repleto de atividades, nada mais reconfortante, que tomar um delicioso banho de espuma, cair na cama, relaxar os músculos, respirar profundamente, desacelerar a mente, fechar os olhos e finalmente adormecer... 

E você, dorme bem? Ou têm insônia?

Durante o sono ocorrem importantes processos metabólicos de extrema importância para o equilíbrio do nosso organismo.

A insônia é um dos distúrbios do sono mais frequentes e atinge cerca de um terço da população adulta.


Quem nunca ouviu a frase? “Cair nos braços de Morfeu?” uma autêntica metáfora dos mitos gregos, sendo Morfeu o deus alado dos sonhos noturnos, filho de Hipnos (deus do sono) e de Nix (deusa da noite). Então? Cair nos braços de Morfeu, sugere literalmente dormir bem e sonhar...


Queixas em manter o sono ao longo da noite, dificuldades em iniciá-lo ou mesmo uma sensação de que o sono não foi reparador e vem causando prejuízo no desempenho de tarefas e comprometendo o bem estar físico e mental dos indivíduos, é preocupante.


Como você avalia a qualidade do seu sono? Você está sempre sonolento? Qual a probabilidade de cochilar sentado? Você cochila vendo TV, em lugares públicos (sala de espera, cinema, reuniões)? 


Se confirmar estas perguntas, é possível uma sonolência severa, que merece ser investigada para se descobrir a hipersonia e ou narcolepsia (sono incontrolável durante o dia com propensão a dormir em momento inapropriado), de origem genética.

Sono é um estado em que se aumenta notavelmente a frequência de descargas dos neurônios, de forma bem maiores do que os observados em vigília, por exemplo, na fisiologia do sono, ocorrem mudanças na pressão arterial e na frequência cardíaca, sendo secretados hormônios em momentos específicos do sono.

Ocorrem também mudanças no ritmo respiratório, tornando-se mais rápida e irregular, com hipo e hiperventilação, surtos apnéicos (quando a pessoa deixa de respirar por períodos de até dois minutos) deixando o cérebro sem oxigênio promovendo pequenos despertares, que interrompem o sono, ou prejudicam a sua qualidade.

O sono é marcado por movimentos rápidos dos olhos conhecido como sono REM, (Rapid Eye Movement), isto indica que alguma coisa ativa ocorre durante o sono, todos os mamíferos tem sono REM, e isto se altera em ciclos regulares, e com o sono não REM. 

Nossos sonhos mais vívidos ocorrem durante a fase do sono REM.

Machos têm ereções e as fêmeas, dilatação do clitóris, apesar do conteúdo do sonho, em sua grande parte, não ter nenhuma conotação sexual.

Desejo deixar claro que a insônia é um sintoma, e como tal requer uma análise cuidadosa do ponto de vista fisiológico, psicológico e social.

Do ponto de vista físico, podemos perceber que a depressão, ansiedade e uso de medicamentos podem ocasionar noites mal dormidas, assim como problemas emocionais e psicológicos, afetivos, pessoais, familiares ou econômicos também o prejudicam.

Transtornos psiquiátricos, falta de atividade, viuvez e aposentadoria, comprometem a qualidade do sono, associado a sintomas de falta de concentração e memória, fadiga e desatenção.

Existem vários distúrbios do sono, desde o incômodo ronco, apnéia crônica, devido obstrução respiratória ou uma interrupção dos sinais nervosos que prejudicam o sono.

O sobrepeso, a obesidade a hipertensão arterial elevada são fatores de risco para a ocorrência de parada cardio-respiratória durante o sono.

Cafeína, bebidas alcoólicas e tabagismo dificultam e impedem um sono eficaz.

Bruxismo é outro distúrbio do sono, onde se rangem os dentes de forma inconsciente, assim como a síndrome das pernas inquietas, que promovem um irresistível movimento dos membros inferiores durante o sono.

Temos um relógio biológico, que é moldado geneticamente, mas também dependem de fatores externos: vida social e até do tipo de colchão e do travesseiro que você dorme.

É exatamente enquanto dormimos, que o nosso fantástico cérebro comanda a produção de hormônios como é o caso da melatonina (hormônio produzido pela glândula pineal), geralmente ele começa ser sentido assim que o sol se põe, avisando ao nosso organismo que iremos “dormir”, geralmente nossa temperatura cai, baixa a pressão arterial e daí para cochilar é um piscar de olhos.

Quando dormimos um sono profundo as proteínas são sintetizadas em grande escala, expandindo as redes neuronais ligadas à memória e ao aprendizado.

Um verdadeiro exército de reconstrução atua regenerando nossas células, eliminando o estresse, impedindo que o organismo acumule altos níveis de cortisona (hormônio produzido pelas glândulas supra-renais).

No nosso sono de cada dia, o hormônio do crescimento continua a ser liberado, mesmo na fase adulta, logicamente, em doses menores, mas ajuda a evitar a flacidez e perda  do  vigor  físico.


Durante o processo do sono, nosso organismo se livra facilmente dos radicais livres que causam o envelhecimento precoce e até tumores.

Durma bem, e garanta a liberação de leptina (hormônio que controla a sensação de saciedade), evitando o sobrepeso e a obesidade.


Dormir e sentir-se restaurado em sua energia e vitalidade, promove melhoria no sistema de imunidade, através da liberação de substâncias denominadas interleucinas que ajudam a defender nosso organismo de vírus e bactérias.

E aí? Você é uma coruja noturna ou uma madrugadora cotovia?Os indivíduos que possuem maior energia ao entardecer apresentam temperatura corporal fria e lenta pela manhã e ganham calor e energia pela noite, são como corujas notívagas.


Você é uma cotovia como eu?  Gosta de acordar cedo, não importando o horário em que foi dormir?

Isso é devido aos nossos relógios biológicos que dão o ritmo ao nosso sono, nos informando quanto tempo necessitamos dormir.

Tão importante quanto dormir, é saber práticas que podem nos conduzir a uma boa noite de sono.

Além de aprender a relaxar, esquecendo os problemas na hora de dormir, podemos preparar um delicioso suco de maracujá com erva-cidreira, um chá de hortelã com camomila ou um copo de leite quente adoçado com uma colher de mel, irão ajudá-lo a relaxar e prepará-lo para o sono.

Desenvolva uma boa higiene do sono, tenha um ambiente agradável no seu quarto, regule a temperatura, a quantidade de luminosidade, o cheiro, o silêncio e a limpeza.

Evite ruídos que incomodam, evite falar ao telefone na cama, retire a TV do quarto, nunca coma na cama, a menos que esteja doente ou impossibilitado por alguma razão, assim o seu inconsciente começa a decodificar o seu movimento para dormir, e o seu organismo começará a relaxar.

Ouça uma música suave, ore, medite e vista uma roupa confortável para dormir, coerente com a temperatura do ambiente.


O objetivo é conseguir que o seu cérebro associe a sua cama e o seu quarto com o lugar aonde você dorme.

Reconhecemos os distúrbios do sono pelas alterações do nosso humor, alterações cognitivas (mentais), físicas e psicológicas, que vão desde alterações das emoções, aprendizado, raciocínio e pensamentos,  até disfunções hormonais.


Ficar sem dormir ou dormir mal é algo que ocorre a cada noite, para milhares de pessoas,  que transitam no reino silencioso e desesperador da insônia.

Busque ajuda, não tenha mais noites em claro e dias difíceis.

Você merece descanso, atividade cerebral adequada e bons sonhos...



Boa noite!




Deijone do Vale                         

Neuropsicóloga





segunda-feira, 30 de setembro de 2013

MEDO, REJEIÇÃO E PRECONCEITO: o tripé da dor...



                     “Qualquer um pode contar as sementes em uma maçã, mas só Deus pode contar o número de maçãs em uma semente”
                                                                       (Robert H. Schuller)

Como vai você?

Como você se vê?

O que os outros veem?

Você realmente é...?

Já sentiu medo? 

Afinal, vivemos em um mundo repleto de exigências sociais, morais, estéticas, culturais não é?

No entanto, as coisas se auto revelam, é como se contivessem um apelo interno: quando olhamos para uma maçã, ela nos diz: “come-me”, um copo de cristal com água “bebe-me”, um homem e uma mulher apaixonados... simplesmente são, mas passamos a duvidar da certeza imediata que as coisas nos oferecem.

Através do ato de pensar, disciplinamos nossos desejos, já não fazemos o que queremos, somos “propriedade” do social, do religioso, do cultural, da psicologia, da filosofia... que agem e falam sobre nós.

Somos seres de relações conscientes e inconscientes, tipo dentro-fora-dentro, e isso nos reporta ao pressuposto humanístico de Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo”.

Precisamos nos conhecer, saber de nossos limites, momento a momento, dando respostas às nossas indagações, frente as fronteiras estabelecidas pelo próprio homem.

Estamos ainda longe de pensar com suficiente radicalidade, as nossas escolhas, e nossa essência enquanto ser, pois a essência do agir é o consumar.

Fica o questionamento: qual é o meu discurso com relação ao meu ser, e ao ser do outro?

É um desafio constante, colocar-se inteiro nos relacionamentos e na própria vida.

Somos seres concretos, com ânsias e satisfações, vontades reprimidas, liberdades pessoais, responsabilidades e consciência de saber arcar com consequências decorrentes de atitudes e escolhas.

E como já dizia Husserl: “Toda consciência é consciência de alguma coisa”, mas às vezes nos transformamos para atender as expectativas que não nos pertencem, mas garantem nossa sobrevivência e aceitação.

O mundo decididamente é um lugar assustador (as vezes).

Você já observou quando o vento começa a farfalhar lá fora e uma atmosfera pesada se forma, uma tensão crescente está em pleno desenvolvimento no ar, uma espécie de interlúdio que antecede a tempestade?

Assim é a rejeição, esta dor que nos limita e bloqueia, perdemos de certa forma a ousadia e começamos a agir baseados em aprovação de outros.

Movemos como em tanques de areia movediça e quanto mais agitamos, mais submergimos, são nossos sentimentos de inadequação, insegurança, onde remoemos  fraquezas e morremos internamente diante de tantos preconceitos.

E por fim nos damos conta de que devemos preservar nossa integridade psíquica e nos regenerar das feridas infligidas por nós mesmos ou por terceiros.

A vida nos desafia constantemente a nos posicionar, mesmo diante das contradições produzidas pelos interesses, e assim relativizamos nossas vontades e ajustamos ao padrão comum para nos livrar dos conflitos.

Provavelmente o bom senso nos dará um norte, sem absolutizar ou literalizar nossos medos aos sentimentos de rejeição ou de preconceito.

No final das contas o que vale de tudo isso é a paz interior, chave para qualquer decisão humana.

Mas o que é a paz? Será simplesmente a ausência de conflitos ou guerras?

Imagine um terreno repleto de ervas daninhas, cardos, espinhos e abrolhos, você cuidadosamente limpa tudo, mas mesmo assim, isso não fará dele um jardim.

Será apenas um terreno limpo e somente se transformará em um jardim, quando flores forem plantadas e então haverá borboletas, perfumes e pássaros.

Assim também será com a paz interior, não basta descartarmos nossos medos, dores e frustrações, é necessário pararmos de mimar o nosso ego e decididamente avaliar e verificar a estrutura emocional construída.

Olhe para o seu mundo interno, o que ele é capaz de suportar? Afinal não podemos dar aquilo que não temos.

Panta stegei, panta pisteuei, panta elpigei, panta upomenei, esta frase escrita originalmente em grego, retrata uma verdade difícil, mais fantástica: O amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”.

Difícil, não?

Decididamente necessitamos de algo maior e mais profundo do que vãs filosofias para nossas dores, buscas e ansiedades.

Até a nossa natureza instintiva nos diz quando basta, e dentro da nossa psique existe liberdade.

Não permita que a sua visão e percepção permaneçam embotados pela passividade,  lobo que não sabe uivar não encontrará a sua matilha.

E logicamente, não podemos permitir que o medo nos domine, seja em que área for das nossas vidas, pois o medo excessivo de críticas e julgamentos severos, podem nos levar ao isolamento e comprometer a nossa identidade pessoal.

Tenha fé! E como  já dizia o poeta:

  “Se você procurar bem, vai encontrar

  Não a explicação (sempre duvidosa) da vida

  Mas a beleza (inexplicável) dela.”

Enfim, lute ou fuja, de qualquer forma o seu formidável cérebro irá secretar o hormônio ACTH (hormônio adenocorticotrófico), e que irá para a corrente sanguínea, depois no final chegará ao córtex adrenal, ativando e liberando mais ou menos uns trinta hormônios diferentes para preparar o seu corpo para lidar com tão grande ameaça, não é?

Você pode fugir ou lutar, a escolha é sua.

E o anjo falou: Paz na terra aos homens de boa vontade!


Deijone do Vale
Neuropsicóloga