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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Vida de Terapeuta



É enigmático como certas palavras ou acontecimentos entram em nossa mente e permanecem como o retinir dos sinos de uma catedral. Por quem os sinos dobram? Eles dobram por ti... Ernest Hemingway, senti saudades de quando li o seu livro, já  faz  muito  tempo...

Anos atrás atendi uma paciente portadora da Síndrome de Marfan.  Você sabe o que caracteriza a Síndrome de Marfan?

A Síndrome de Marfan é uma doença, uma desordem do tecido conjuntivo provocada pela mutação genética do gen do cromossoma 15 da proteína fibrilina, presente nos ligamentos que unem os ossos nas articulações, seguram as lentes dos olhos (cristalino), e também está presente na camada interna das artérias (principalmente a artéria Aorta).

O nome da síndrome refere-se ao pediatra francês que a descreveu em 1896, e as principais manifestações clínicas incidem sobre os sistemas esquelético, cardíaco e ocular: estatura elevada, deformidade toráxica, escoliose, braços e mãos alongados; prolapso da válvula mitral e dilatação da veia Aorta; miopia e luxação do cristalino.

Uma pessoa afetada pela Síndrome de Marfan pode ter todos ou alguns destes sintomas.

Pois bem, a minha paciente portava tal síndrome, era jovem, bela, desejava ardentemente viver, estava grávida de sonhos, queria ser professora, ensinar crianças.

Seus olhos negros e profundos esquadrinhavam os meus perplexos, diante daquela vida num leito de hospital.

Sua mão pálida, enorme, que eu mal conseguia segurar entre as minhas, estava úmida, seus pés alongados sobressaíam do lençol, aquilo tocou-me a alma.

Murmurou-me: “Se eu sarar, serei professora, gosto de ensinar crianças”.

Sua voz se instalou dentro de mim e me acompanha até hoje e em muitas ocasiões pareço escutá-la...

Identifico-me com ela, também gosto de ensinar, ela morreu na semana seguinte, lamento sua partida precoce, lamento não ter-lhe falado novamente.

Nestes anos de clínica tenho estado cada vez mais apaixonada pelo desafio que é o atendimento psicológico, o set terapêutico é um campo minado de emoções.

Caminhar, adentrar o mundo do paciente, vê-los em sua plenitude, compreendê-los, manter um olhar empático, verificar inúmeras vezes os meus pressupostos, é instigador.

Andar com os sapatos do outro? ou andar nas suas pegadas? É desafiante!

Empatia pressupõe abertura frente a eventos abomináveis, lascivos, violentos, não importa é necessário suspender o nosso a priori para estabelecer um relacionamento genuíno.

Creio que nós terapeutas somos cuidadores do desespero humano e também de muitos sonhos, projetos e esperanças.

É um privilégio a vida de terapeuta, eu encontrei  no meu trabalho o que amo, fonte inesgotável para meus artigos e ainda acrescenta um significado inestimável à minha própria vida.

Outro dia mesmo, atendi a um adolescente, este veio ao consultório após dois anos de terapia intercalada e longos períodos afastado. 

Chegou com um violão enorme nas costas, lindo, sorridente, o óbvio: veio para uma sessão, veio cantar para mim, e realmente cantou e me encantou.

Imagine  a cena: cantou em inglês uma canção de uma banda britânica e antes de começar a cantar me pediu água para beber e em seguida dedilhou seu violão e com uma voz firme, afinada, me impressionou com o seu canto.

Fechei meus olhos para ouvi-lo melhor, a canção falava de “trovão de lágrimas”, isto me soou muito sugestivo, e a sua voz exprimia sentimento, paixão, percebi na hora o feedback desse querido paciente e pude observar ao vivo e a cores o seu crescimento pessoal e emocional.

Aí pensei: Como é possível guiarmos o outro no complexo de estruturas profundas que é a mente humana e a existência...

Sou uma apaixonada, é uma honra poder compartilhar com o paciente seus segredos, sonhos, anseios, medos e angústias e juntos construirmos em autoconhecimento e percepção.

Somos guardiões de segredos às vezes bem dolorosos e isto me tornou alguém mais paciente e gentil, mais compassiva com os outros e comigo.

Como terapeuta sou desafiada intelectualmente constantemente e porque não dizer também espiritualmente.

Aprendi a transcender ao olhar para o outro e fazer contato com a sua necessidade do momento.

Aprendi a dialogar mais do que polemizar, aprendi a estar presente e olhar com amplitude no sentido da graça, da benevolência e da lealdade para com o outro, possibilitando o encorajamento e promovendo a auto-percepção.

É  mais prazer que fardo, aprendi a fazer menos julgamentos e a ter mais compaixão.

Sempre me recordo de Erich Fromm que frequentemente citou a declaração de  Terêncio, de dois mil anos atrás e ainda tão atual: “Sou humano, e nada que é humano me é estranho”.

Deijone do Vale
Neuropsicóloga

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

DISSONÂNCIA COGNITIVA (Tudo é o Olhar)

 
 
 
 
 
 

 
Não te amo mais
Estarei mentindo  dizendo que
Ainda te quero como sempre  quis
Tenho certeza que
Nada foi em vão
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada
Não poderia dizer mais que
Alimento um grande amor
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
Eu te amo!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...


                          Clarice Lispector

              (Agora leia novamente o poema de baixo para cima)


Na psicologia o termo “dissonância cognitiva” é apresentado como um sintoma que revela a guerra interna daquele indivíduo que crê de uma forma e age de outra.

É interessante a observação de nossas ações em confronto com nossas  convicções morais, religiosas, sociais ou afetivas.

A vida oferece possibilidades constantes para nos tornarmos pessoas autênticas, verdadeiras e melhores.

Você tem o livre-arbítrio de ser alguém pior: ser mal educado, ficar em silêncio para punir ou usar o silêncio como auto-preservação.  São atitudes que nem sempre temos consciência.

Dissonância cognitiva é quando anulamos as distorções entre nossas ações e nossas íntimas  convicções morais, na verdade é um estado de tensão existente entre crenças, idéias, atitudes e condutas morais que de certa forma distorcemos para ajustá-las às nossas convicções.

São aqueles pontos cegos em nosso maravilhoso cérebro que não nos deixa enxergar aquilo que nos desagrada ou intimamente censuramos devido a idéias pré-concebidas e armazenadas em nossa memória.

A dissonância cognitiva permite  livrar-nos da culpa, da vergonha, da ansiedade ou da frustração, ela  funciona como uma muleta para nossos deslizes.

É um estado de tensão psicológica entre o que acreditamos ser a verdade e aquilo que sabemos ser a verdade.

Ter uma cognição dissonante é processar tentativas para reduzir a tensão de pensamentos conflitantes através de comportamento contrário àquilo que o indivíduo acredita.

Atitude é aprendida e alguns modelos mentais tais como, opiniões, crenças, comportamentos e emoções possuem relações de consonância, e quando surge uma nova possibilidade que entra em choque  com um modelo já existente, emerge a dissonância cognitiva para abrandar  esse conflito.

É  um verdadeiro desconforto psicológico, o aumento de tensão, muda-se o conceito interno ou o comportamento externo ou permanece-se em estado de tensão e bloqueia a capacidade criativa.

O perigo reside em desencadear mecanismos de defesa rígidos,  por não aceitar ferir o ego que por sua vez rejeita as contradições que chocam com os valores enraizados e assentados em bases cimentadas de convicções inquestionáveis.

Nossas crenças pessoais e atitudes são modeladas tanto pelo nosso mundo  interno quanto externo e que  nos pune caso haja transgressão pelo comportamento dissonante.

Muitas vezes a racionalidade nos escapa e nos apoiamos em garantias ideológicas para preservar o equilíbrio interior.

O poema de Clarice Lispector citado acima traduz a contradição (dissonância) enviezada  pelo olhar.

Tudo é o olhar: De baixo para cima? ou de cima para baixo?

Você é quem decide...


Deijone do Vale
Neuropsicóloga

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Cocaína, a dependência como busca pelo prazer

 


Quando tentamos analisar o que leva um indivíduo a se tornar viciado, não encontramos uma resposta satisfatória, não estamos ainda em condições de definir o tipo de personalidade capaz de orientar o indivíduo no sentido do tóxico.
 
Logicamente indivíduos bem ajustados emocionalmente e sem ansiedades anormais, apresenta suporte interno para enfrentar as vicissitudes do cotidiano, sem necessidade alguma de entorpecer suas emoções.
 
Geralmente os viciados só chegam aos nossos consultórios em plena toxicomania, já portadores de alterações neuropsicológicas que dificultam a avaliação exata da personalidade original.
 
É possível observarmos alguns traços constitucionais conducentes ao desenvolvimento da dependência ao tóxico, principalmente naqueles indivíduos atemorizados, para quem a vida representa uma constante ameaça e que possuem um baixo limiar de tolerância à frustações, são pessoas extremamente inseguras e que farejam catástrofes, entram em pânico facilmente e se desesperam frente às demandas da própria vida. Outros, totalmente dependentes, querem da vida unicamente o lado bom, sendo o entorpecente um refúgio, ainda que transitório, de realidades que por serem difíceis, ele procura negar a qualquer preço.
 
Veja bem, a procura inicial pela droga coincide com situações ambientais adversas, é o caso por exemplo, dos infelizes amorosos que afogam suas desiluções no álcool ou em outras drogas, ou como diríamos nós psicólogos, buscam alívio no vício para as ansiedades complexas implícita na experiência de rejeição, de pânico ante a solidão, de audesvalorização e raiva por sentir-se abandonado.
 
O entorpecente abranda as tensões inibitórias provenientes da censura, ou do juízo crítico e desta forma facilita a expressão de impulsos inaceitáveis do ego.
 
Infelizmente o consumo de drogas está nos primórdios da história da humanidade. Na segunda metade do século XIX, o químico alemão Albert Niemann, conseguiu isolar o elemento com o princípio ativo da planta coca e que era utilizado como analgésico (cocaína).
 
Dados do DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders IV - (1995), informa que em meados de 1984 houve um aumento no uso da cocaína com a introdução do Crack no mercado, um alcalóide em formato de pedra e passível de ser fumado, sendo o crack um derivado potente da cocaína bruta, não refinada.
 
Hoje a questão do consumo de drogas é um grave problema de saúde pública no mundo, é algo assustador, complicações médicas, psicológicas e psiquiátrica com elevação dos índices de morbidade e mortalidade.
 
A absorção da cocaína é realizada , geralmente pela mucosa nasal ou bucal, onde o pó é esfregado e assim a droga consegue passar pela rede de células que separam o sangue do cérebro, ou seja, a barreira hematoencefálica e chegam rapidamente ao SNC (Sistema Nervoso Central), e uma vez no cérebro afeta o comportamento.
 
No início observa-se ligeira tontura e cefaléia, logo segue uma hiperatividade mental e bem-estar, neste período a pessoa torna-se ativa, falante, espirituosa e isenta das sensações de fadiga e fome.
 
A embriaguez cocaínica apresenta ilusões de conteúdo agradável, móveis, vivas de objetos e seres de tamanho reduzido, são chamadas alucinações liliputianas.
 
Dupré referiu-se a esta embriaguez pela cocaína de “felicidade em movimento”, no entanto esta hiperatividade mental, pouco a pouco cede a um humor oscilante, irritabilidade, indiferença e desconfiança.
 
Em indivíduos com intoxicação crônica é comun os delírios de perseguição, especialmente de ciúmes acompanhados de visões de igual conteúdo e as alucinações são múltiplas, fragmentadas e móveis, geralmente seguidas de impulsos agressivos.
 
Outro tipo de alteração mental dos viciados crônicos da cocaína é um certo puerilismo, preocupação excessiva com detalhes banais e fuga de idéias.
 
A sintomatologia física desta toxicomania revela pupilas dilatadas, emaciação (emagrecimento), inapetência, palpitações e secura das mucosas com polidipsia (sede excessiva).
 
Em mulheres, estas referem excitação libidinosa com tendência a prática perversas (sado-masoquistas) e os homens rapidamente tornam-se impotentes.
 
A degradação moral e ética vai tomando forma na vida do viciado que negligencia suas obrigações, vai se desinteressando da família e do trabalho, substituíndo-os pela companhia de outros viciados, vagabundos e prostitutas.
 
A degradação física, mental e moral se instala e a morte pode sobrevir em forma de um ataque cardíaco, por parada cardio-respiratória ou mesmo através de doenças oportunistas devido ao estado de fraqueza geral do viciado.
 
Quanto aos sintomas de abstinência e quando privados do tóxico, desenvolve incômodas parestesias (sensação de vermes e insetos sobre a pele), é comum também alterações gástricas, depressão e alucinações aterradoras.
 
O prognóstico é grave, mas não podemos desistir jamais, as vezes é imprescindível a internação clínica, pois de outro modo fica difícil controlar as atividades do paciente e impedir a aquisição do tóxico. É necessário medicação específica, e também a psicoterapia, com o objetivo de promover o ajustamento do paciente em bases psicológicas favoráveis, sob pena de reicidência.
 
Equipes multidisciplinares devem interagir para dar suporte e influir sobre as realidades ambientais, no sentido de dar direção à vida da pessoa em reabilitação, promovendo escolha de atividades que tenham identificação com as necessidades reais do paciente.
 
Caro leitor, a recuperação de um viciado em cocaína é um longo caminho a ser percorrido e este deve ser realizado com passos de perseverança, paciência, esperança, fé em Deus e muito amor.
 
Encerro este artigo com um dos versos do poeta britânico do século XVIII, Alexander Pope: “Você compra a dor com tudo que a alegria pode oferecer, e não morre de nada senão do desejo de viver”.
 
Deijone do Vale
Neuropsicóloga

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Anatomia da Emoção


Quando você está lendo um empolgante romance posso dizer que está usando suas funções cognitivas (uma ação: ler, que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação,  pensamento e linguagem) e os processos emocionais (prazer, riso, choro), se emocionar com o personagem do romance.
 
O estilo de vida e o modo como exprimimos nossas emoções ou nossas escolhas existenciais, formam a base da nossa personalidade.
 
Veja só: emoção é movimento, que dá cor aos nossos sentimentos, sejam sentimentos negativos (ciúme, inveja, ira, ódio) ou sentimentos positivos (alegria, carinho, amizade, amor).
 
Emoções provocam diversas modificações em nossa estrutura física, sejam elas: autonômicas (pulso acelerado, palidez ou rubor facial); endócrinas (suor excessivo, lágrimas, boca seca ou salivação); musculares (crispação das mãos ou rosto, sorriso) e comportamentais (agitação, fuga, paralisação).
 
Não podemos ignorar o poder das emoções, pois estas são basicamente impulsos para agir.
 
A raiz da palavra emoção é mover e vem do latim (movere). Emoção nos leva a agir, e é interessantíssimo observarmos as assinaturas fisiológicas quando nos emocionamos.
 
Você mesmo quando fica irado, já percebeu que o seu ritmo cardíaco fica acelerado? Escute! É mesmo o seu coração? ele esta batendo muito rápido. E aparece uma onda de hormônios como a adrenalina que gera energia para o ataque.
 
Já sentiu medo? De que? Pois é, este seu medo faz com que o sangue vá rapidamente para as pernas, por isso o seu rosto fica pálido, são os circuitos nos centros emocionais do nosso cérebro que disparam nossos hormônios colocando nosso corpo em sentido de alerta para fugir ou quem sabe enfrentar aquele monstro horroroso, tipo bicho papão.
 
Lembrou, quando você era criança?
 
E quando estamos felizes, seja pelo amor ou satisfação sexual é o “padrão estimulação parassimpático”, o oposto do medo e fuga, este padrão traduz um conjunto de reações do nosso corpo e que possibilita um estado geral de relaxamento, satisfação e calma.
 
As emoções tem forte domínio sobre nossa mente pensante, é comum ouvirmos relato de mulheres cujo marido as abandonaram porque se apaixonaram por uma mulher mais jovem.
 
Imagine a cena, que se arrasta por vários meses de discussões amargas sobre guarda de filhos e divisão de bens.
 
Ouvimos então da mulher abandonada: “Não me lembro mais do fulano, não me importo”, mas ao fazer tal declaração, percebemos que seus olhos se encheram de lágrimas.
 
Se formos empáticos, saberemos que olhos com lágrimas podem significar tristeza, apesar de ter verbalizado o contrário.
 
É aí que percebemos: temos duas mentes, a que pensa e a que sente. Pensa, raciocina, pondera, fica refletindo horas e acaba chorando.
 
Ah! a minha mente emocional me desmascara. Paixão e razão.
Já se sentiu assim alguma vez?
 
Os estudiosos afirmam que a mais antiga raiz de nossa vida emocional está no sentido do olfato, especificamente no lobo olfativo, as células que analisam e absorvem o cheiro, que nos tempos primitivos era o sentido supremo de sobrevivência.
 
Imagine leitor, fazer escolhas pelo cheiro: é tóxico? ou posso comer? inimigo? sexualmente acessível? predador ou presa?
 
Tudo pelo cheiro! Incrível!
 
Evoluímos, nosso cérebro emocional também, veja o sistema límbico, este território neural de emoções, principalmente quando estamos enlouquecidos pela paixão ou paralisados pelo medo. Quem nos tem em seu poder?
 
Acertou, é o sistema límbico.
 
Aprendizado e memória.
 
Compare o medo de uma lebre e o medo humano. A lebre tem um conjunto restrito de respostas típicas para a questão do medo e os humanos como possuem um repertório mais complexo, pode inclusive ligar para o telefone de emergência da polícia. O quê? 190?
 
Pois é, nossa arquitetura neural está associada ao nosso cérebro emocional influenciando nos centros do pensamento.
 
Você já teve um ataque de nervos?
 
Explosão emocional é o que chamamos de seqüestros neurais, o cérebro límbico recruta todo o restante do cérebro para sua ira, disparando uma reação explosiva, antes do neocórtex, o cérebro pensante, verificar o que está acontecendo e o mais interessante é que quando passa este momento de fúria, as pessoas não sabem explicar e nem compreendem o que aconteceu com elas.
 
Qual foi a última vez que você se viu fora de controle?
Você refletiu e viu depois que passou dos limites?
 
Isto foi um poder neural que se originou na sua amígdala, um centro no cérebro límbico. Mas veja bem, nem tudo é agonia nestes seqüestros límbicos, uma piada que te faz rir a ponto de perder-se em sonoras gargalhadas é também uma resposta límbica.
 
A onde está a sede de toda esta paixão? Ira e risos descontrolados?
 
Respondo, é um feixe em forma de “amêndoa”, chamada amígdala (da palavra grega “amêndoa”), de estruturas interligadas acima do tronco cerebral e são duas amígdalas, uma de cada lado do cérebro, e é uma especialista em emoções.
 
Alguma vez ouviu falar em “cegueira afetiva?
É o que acontece se a amígdala for cortada do cérebro, o resultado é uma total indiferença e impressionante incapacidade de avaliar o significado emocional dos acontecimentos.
 
A amígdala atua como um depósito de nossa memória emocional, se não a tivermos, não teremos significados emocionais, ou seja, toda paixão depende dela.
 
Qual foi a vez que você chorou de dor ou por amor para se acalmar?
 
Lágrimas é um sinal emocional dos humanos, a menos que seja lágrimas de crocodilo, mas chorar ou ser acalentado através de um abraço acalma as regiões da amígdala e a estrutura próxima denominada giro cingulado.
 
O funcionamento da amígdala e sua interligação com o neocórtex estão no centro da inteligência emocional.
 
De qual ato você se arrependeu? Por que nos tornamos tão irracionais com facilidade?
 
Estes circuitos neurais são esculpidos pela nossa experiência durante a infância, por isso é tão importante treinar as crianças em inteligência emocional, ensinando-as a conhecer as próprias emoções, e ter autocontrole dos sentimentos quando estes estão ocorrendo.
 
Crianças necessitam aprender a lidar com suas emoções e para que isto ocorra é necessário colocar limites, motivá-las através do exercício da espera, da paciência, aprendendo a adiar a satisfação imediata e dominando a impulsividade do momento.
 
Ensinar conceitos através do exemplo, da prática da empatia esta capacidade de reconhecer emoções nos outros, perceber do que precisam ou o que desejam, aprendendo a estabelecer vínculos de amizade e relacionamentos através da comunicação, do exercício da paciência e do cultivo do bom humor.
 
Nosso cérebro é bem flexível e está em constante aprendizagem e podemos usá-lo para o bem, ele é uma verdadeira orquestra para a nossa mente.
 
Muitas e muitas vezes eu me perguntei, por que a superfície do nosso cérebro é tão enrugada?
 
Os cérebros dos coelhos são quase lisos e os nossos tão dobrados e enrugados. Talvez seja o reflexo da maturidade filogenética da mente humana. Quem sabe?
 
É um processo miraculoso o neurodesenvolvimento e é contínuo nos seres humanos até os 20 anos de idade.
 
Nosso cérebro sofre modificações quando exposto a influências biológicas, ambientais e psicológicas, estas experiências individuais são poderossíssimas, afetam nossos cérebros por toda a vida.
 
Brevemente falaremos também de outro importante componente na anatomia das emoções, a Ìnsula, uma estrutura do tamanho de uma ameixa seca e que vem desafiando os neurocientistas sobre as suas funções no complexo de circuito múltiplos que compõe  as emoções humanas (cheiros, sabores, sons).
 
Cuide bem do seu cérebro. Converse com seus amigos e enquanto saboreia o seu suco preferido (tangerina? carambola ou melão? ficou com sede de repente?) diga a eles sobre a anatomia das emoções, especificamente fale da amígdala que é parte importante da sua, da minha inteligência emocional.
 
E por fim, descubra a assinatura fisiológica de suas emoções.
Pense!
 

sábado, 13 de outubro de 2012

HOMOSSEXUALIDADE



“Quem ri das cicatrizes nunca foi ferido”
                               Shakespeare, Romeu e Julieta



Falar da sexualidade é falar de um dos aspectos mais conflituosos da condição humana.

A sexualidade representa um dos fatores básicos na expressão de nossa personalidade, afinal é através da sexualidade que procriamos.

Se levarmos em conta o aspecto biológico, diríamos que o sexo é cromossômico (sexo genético), identificado pelos pares  xx  e  xy, com suas glândulas (ovários e testículos) e representados pelos órgãos sexuais masculinos (pênis, bolsa escrotal e próstata) e femininos (vulva, clitóris, vagina e útero).

Pensando assim, do ponto de vista biológico, temos uma identidade genital, que é a consciência do nosso sexo biológico.

E olhando a questão da identidade  sexual sob a perspectiva psicológica, temos a identidade de gênero, ou seja, gênero feminino e gênero masculino e esta consciência de pertença provém tanto do comportamento de nossos pais, família e sociedade, como da percepção que temos do nosso corpo.

Todos já ouvimos o termo “orientação sexual” que é usado para dizer se alguém vai se relacionar sexualmente com o sexo oposto, (heterossexual) com alguém do mesmo sexo (homossexual) ou com ambos os sexos (bissexual).


Para J. L. Moreno, “o papel é a forma de funcionamento que o indivíduo assume num momento específico, ou quando reage a uma situação específica”. Esse conceito pressupõe uma inter-relação frente às diferentes experiências vivenciadas em circunstâncias distintas da vida.

Temos uma maneira de ser: “feminina ou masculina”,  de sentir e  de agir, caso contrário teremos um conflito entre o que somos e o papel que desempenhamos ao longo da existência.

E é exatamente, no final da adolescência que enfrentamos um conflito psicossocial que Erick H. Erikson (The Problem of Ego Identity), chamou de intimidade versus isolamento.

Intimidade é  a capacidade pessoal de participar de relações íntimas desde vínculos de amizades, relações sexuais, amor e intimidade consigo mesmo e com os próprios recursos internos.

O médico húngaro, Karoly Benkert (em 1869), foi quem criou o termo “homossexual”, que vem da raiz grega homo, que significa “semelhante” e se aplica a homens e mulheres com preferências sexuais por pessoas do mesmo sexo.

Sobre as teorias da origem do homossexualismo temos o fator biológico do pesquisador americano, Simon LeVay que publicou em 1991, um importante artigo na revista  Science.

Simon LeVay, argumentou sobre observações realizadas no núcleo intersticial do hipotálamo anterior, uma estrutura no centro do cérebro, que é responsável pela elaboração das emoções e dos sentimentos eróticos, e que  segundo este pesquisador é menor nos homossexuais e mais desenvolvidas nos heterossexuais.

Outro aspecto seria o fator psicológico, o narcisismo (alusão à mitologia grega), quando Narciso vendo sua imagem refletida na água apaixonou-se por si próprio e morre desta paixão, sendo transformado na flor que hoje tem o seu nome: Narciso.

Freud, o pai da psicanálise, acreditava que uma constante ansiedade de castração nos homens poderia levá-los a um comportamento abertamente homossexual e que a fixação á figura materna, proveniente de uma  solução inadequada do Complexo de Édipo, devido a uma mãe dominadora e um pai ausente, possibilitaria esta homossexualidade.


Ouvimos com desagrado, constantemente termos pejorativos como: veado, fresco, bicha, boiola, gay e outros adjetivos  para qualificar o homossexual masculino  o que denota o perigo dos estereótipos que na verdade são baseados em aparências (mãos, vestimentas, voz afeminada, trejeitos e outros maneirismos).

Algumas pesquisas enfatizam que muitos homens homossexuais tiveram contato sexual com outro garoto quando eram adolescentes ou foram abusados por outro adulto do mesmo sexo o que os levou a prática da  homossexualidade.

Seria uma prática aprendida?

Na verdade não existe um padrão que os enquadre na mesma perspectiva.

O que podemos destacar é que existe uma diferença entre descobrir o homossexualismo e aceitá-lo. Alguns homossexuais masculinos e femininos aceitam esta condição, outros sentem conflitos enormes (internos e externos), conflitos emocionais e sociais. Outros se isolam, deprimem e alguns chegam ao suicídio.

Muitos homossexuais escondem sua condição devido à reprovação social, familiar, repercussões econômicas entre outros.

Ouvimos com frequência o termo: “Ele saiu do armário”, referência à condição de assumir a homossexualidade, o que torna esta questão complexa e delicada, pois pode causar dor, sofrimento e rejeição.

A singularidade é premissa essencial na compreensão da história de vida de cada indivíduo, aliado a seus aspectos mais profundos e inconscientes, até porque uma das grandes tarefas de nossa existência é descobrirmos quem realmente somos e isto acontece através do processo de “individuação”.

A verdade é que o ser humano necessita de afeto, respeito e solidariedade, apesar dos estreitos limites de nossa compreensão. Sempre!

Intolerância e preconceito são danosos, mas banalizar a sexualidade das pessoas como se tudo fosse uma questão de aceitação é um grande mito.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

VAMPIROS EMOCIONAIS



Vampiro, o nome já causa arrepios!

Imagine aquele ser lendário que segundo a crença popular sai de sua sepultura com aqueles dentes caninos enormes para sugar o sangue de suas vítimas, no caso, pessoas vivas, ou seja, você e eu.

Pois bem, os vampiros emocionais são aquelas pessoas com distúrbios de personalidade e que se manifestam através de disfunções emocionais e comportamentais.
 
São aqueles indivíduos inescrupulosos que vivem para explorar a boa fé do outro em benefício próprio e são altamente ególatras.
 
Não se deixe enganar, provavelmente ele não irá sugar o seu sangue, eles sugam a sua alma (a sua mente, a sua vontade e as suas emoções) e vorazmente devora a sua energia emocional.
 
Seja cauteloso, são lobos selvagens em pele de cordeiro, são pessoas inteligentes, boa fluência verbal, encantadores à primeira vista, mas entram em nossas vidas sem pedir licença e saem também da mesma forma pela qual entrou, deixando-nos exaustos, com uma terrível dor de cabeça, carteira vazia, coração em frangalhos, e por onde passam fica um rastro de prejuízo e lágrimas.
 
Identificou-se com isto? De nada adianta alho ou cruz de madeira, o melhor é deixá-los à distância, pois à menor proximidade, vão logo tomando as rédeas de nossas vidas (da conta bancária, da geladeira, do carro), adoram comidas gostosas e cadeiras espreguiçadoras, enfim amam as coisas boas da vida.
 
Vampiros emocionais são aqueles indivíduos que a priori parecem lindas borboletas voando à nossa volta, mas possuem uma terrível habilidade de se metamorfosear, uma vez que possuem grande força de vontade além da normalidade e estão sempre no controle das situações, mas veja só, é um vilão carismático, portanto todo cuidado é pouco.
 
Não se deixe iludir, vampiros emocionais têm sede é de sua energia e irá sugá-la até a última gota, se você permitir.
 
Imagine se você tem uma vontade tipo Maria-mole, está ferrada, o encantador vampiro que nem tem medo de sair à luz do dia, pois aparentemente nem é assustador e nem tenebroso, mas tem uns olhos “muito ótimo”, que não levantam a menor suspeita, irá exaurir a sua paciência até ao ponto de você ter uma crise  nervosa.
 
Pelo visto, você já está identificando aqueles seus vizinhos, colegas de trabalho, amigos, conhecidos ou parentes que só pensam em sugar suas emoções.
 
O que fazer? Arregace as mangas, e vamos às estratégias de defesa ou de prevenção. Quais? Você ainda não sabe? Mais pelo menos já identificou os possíveis vampiros emocionais? Já é um bom começo.
 
Olhe para os lados, pode até ter algum à sua espreita. Seu coração disparou? É sinal que você está pronto para lutar ou quem sabe fugir (pode ser uma boa estratégia). Aí vão as dicas de que você necessita:
Primeiro você deve tentar descobrir suas intenções, suas motivações, investigue o passado deles, preste muita atenção às suas ações, e não propriamente no que expressam através de palavras, e identifique como ele te hipnotiza com o seu charme quando quer algo.
 
Os vampiros emocionais são pessoas tóxicas, veja se não possuem algum tipo de vício ou compulsão (jogos, bebidas, drogas, sexo, comida) e se você perceber que não poderá ajudá-lo e conhecer os seus (é seu mesmo) limites, prepare-se para deixá-lo. Saia correndo!
 
Dissonância cognitiva é a capacidade que temos de torcer, distorcer a realidade para adaptá-la às nossas escolhas principalmente as escolhas que intuitivamente ou instintivamente sabemos que são erradas.
 
Fique ligado a esse princípio da psicologia e não seja tolo, a ponto de confundir suas emoções e burlar sua percepção em relação ao vampiro emocional que acaba de te telefonar propondo um negócio fabuloso.
Todo o cuidado é pouco, pois os vampiros emocionais odeiam aceitar respostas negativas.
 
Mantenha o foco e o bom senso, e se for o caso prepare-se para brigar ou fugir, mas avalie se o perigo a ser enfrentado é maior ou menor do que você.
 
Seja racional, pense, nada de respostas impulsivas das quais se arrependerá mais tarde.
 
Vampiros emocionais não sabem adiar a gratificação, são regidos pelo princípio do prazer (imaturos emocionalmente), então você deve se guiar pelo princípio de realidade (viver segundo seus conceitos éticos), em hipótese alguma abrir mão de seus valores morais.
 
Seja firme, coerente com você mesmo, ignore acessos de raiva dos vampiros emocionais e permita que sua racionalidade o oriente em suas escolhas.
 
Então, você já sabe: rigidez, abusos, controle, impulsividade, hostilidade, irresponsabilidade, intolerância, imprevisibilidade, chantagem emocional, vingança, egoísmo, ciúmes infundados, lágrimas de crocodilo fazem parte do arsenal dos vampiros emocionais, e se perceber que não consegue lidar com eles, encaminhe-os para buscar ajuda profissional, pois tais vampiros são criaturas adoecidas e como tal necessitam de tratamento especializado.

Sempre haverá noite, mas vampiros emocionais saem à luz do dia. Cuidado, eles estão à solta!

sábado, 22 de setembro de 2012

Psicologia em Diabetes



É preocupante o aumento da incidência do diabetes no mundo. É uma doença de caráter endêmico (peculiar a uma determinada população) e o principal foco de atenção é a prevenção de suas complicações, que ocasionam a diminuição da qualidade e quantidade de vida.

A falta de controle dessa doença gera incapacitação, encurtamento de vida útil, mortalidade prematura e considerável morbidade, isto sem citar os custos elevados  dos gastos com a doença.

A pergunta que não quer calar é: como poderemos evitar as complicações ou a própria doença?

Considere alguns fatores, como a educação, a informação, a reeducação alimentar, a própria motivação do paciente em reação ao conhecimento da doença, são essenciais para o controle e ou desenvolvimento da doença.

As campanhas de saúde educam, e quando bem delineadas podem significar uma boa ajuda no controle e na prevenção, e o envolvimento da família, pois o principal tratamento é a mudança do estilo de vida e a monitorização dos níveis glicêmicos.

Não podemos deixar de mencionar que em alguns casos é necessário o suporte psicológico quando o paciente necessitar, uma vez que é uma trajetória que exige determinação, paciência, apoio emocional, solidariedade e atendimento multidisciplinar.

O aspecto emocional do impacto ocasionado pelo diagnóstico é manifestado através de mecanismos de defesa que vão da negação à tristeza profunda, dos sentimentos de resignação ou de desprezo, traduzido em frases do tipo:  “ não é comigo, não necessito me preocupar com isso”; “ vou continuar comendo de tudo e do meu jeito”.

Sentimentos de desesperança também são manifestados no primeiro momento e pode ser sentido pelo paciente e pela sua família.

Aceitar o diagnóstico é um passo importantíssimo para o tratamento, já o grande desafio é que o diabetes pode fazer emergir sentimentos de fragilidade e agravar desequilíbrios psicológicos no paciente. Daí a importância de se conhecer a doença e suas conseqüências físicas e emocionais.

Não se deixe abater, é possível viver como qualquer outra pessoa, mas é necessário também manter todos os cuidados que o diabetes exige.

Sabemos o quanto é difícil lidar com a frustração diante das restrições impostas, podem emergir sentimentos de raiva, medo, agressividade e revolta. É perfeitamente compreensível e natural que uma doença crônica, gere ansiedade e insegurança.

O portador de diabetes pode apresentar sinais de  rebeldia ao tratamento, instabilidade de humor e questionamentos: “por que comigo?”; “o que foi que eu fiz para merecer isso?”. 

É compreensível esta tendência em se sentir pior que os demais, o único com problemas e a procurar culpas que não existem, como se o diabetes fosse uma punição, isto evidência  a dificuldade de aceitar-se e de assumir-se perante os outros, com seus limites, diferenças e cuidados.

É emergente observar se não está boicotando o tratamento ou não respeitando as orientações recebidas de seu médico.

É bem possível aparecer sentimentos de baixa-estima e diminuição da auto-confiança, o que se reflete num possível isolamento social que por sua vez aponta para o medo de entrar em contato com suas emoções. Daí a reclusão e a evitação do convívio com outras pessoas.

Outro aspecto a ser mencionado é a possibilidade de chantagem emocional, manipulação, a pessoa utiliza o fato de estar diabético para conseguir o que deseja e obter maior atenção ou concessões especiais.

Então, quanto mais precoce for a percepção desses sinais e mais rapidamente tratados, naturalmente melhor serão os resultados, tanto do aspecto psicológico quanto do próprio diabetes.

O apoio psicológico é tanto para o diabético e seus familiares que são pontos de segurança e estímulo para um bom tratamento.

A pessoa portadora de diabetes é alguém singular, total, plena e que necessita e merece ser tratada com dignidade e respeito. Por exemplo, na criança portadora de diabetes, é comum a ansiedade dos pais que ficam temerosos e tendem a superproteger o filho, na tentativa de evitar que algo lhe aconteça. 
Essa superproteção gera insegurança e dificuldades no aprendizado e no reconhecimento de alguns sintomas agudos e comuns ao diabetes. 

É fundamental que a criança cresça se responsabilizando por seu corpo, por sua saúde e esta adaptação depende em grande medida da família na qual esta criança está inserida.

É preciso ajudá-la a viver bem, a se integrar na família, na escola e na sociedade.

Não podemos  deixar de registrar a ligação entre obesidade e diabetes, pois quando ocorre uma super alimentação forçamos o nosso pâncreas a produzir grandes quantidades de insulina, porque é grande a quantidade de alimento a ser processado, logo esse pâncreas fica exausto e interrompe esta produção e então, é aí que o açúcar no sangue sobe, é quando são manifestados os sintomas de sede, urina em excesso, visão turva, fadiga entre outros.

Estar doente, estar diabético é uma condição, não  há    porque se envergonhar, a menos que você esteja sendo omisso nos cuidados necessários.

O modo como lidamos é que fará toda a diferença, por isso ouça o seu médico assistente, não se engane com curas mirabolantes, siga à risca o tratamento preconizado, por fim converse sobre o diabetes, sobre o seu temor e sua rejeição.

Cultive bons hábitos alimentares, pratique alguma atividade física regularmente com orientação profissional e tenha cuidados preventivos. 

Não tenha medo de ser feliz, a vida é bela!



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

DEPRESSÃO – A DOR DA ALMA

 
Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?”

Salmos 42:5
 
Querido amigo, a depressão é uma doença, e estatisticamente é comprovado que 19% da população, ou seja, aproximadamente uma em cinco pessoas no mundo apresenta depressão em algum momento da vida.



 Afinal, o que é depressão?

Depressão é uma doença episódica e ou recorrente, e que pode acontecer com qualquer pessoa e em qualquer idade. Existem vários tipos:  (Depressão do Transtorno Bipolar, Depressão que acomete epiléptico, Depressão pós parto, Depressão da mulher no climatério, Distimia (depressão leve e crônica) entre outras.

O que causa a depressão são alterações químicas no cérebro da pessoa deprimida, geralmente nos neurotransmissores, que são substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Estas substâncias são: serotonina, noradrenalina e dopamina (responsáveis por promover aquela sensação de prazer, bem-estar e alegria).

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) a depressão grave é uma doença que invalida pessoas mais que os problemas cardiológicos. As causas são variadas e os tratamentos diversos, no entanto fatores psicológicos e sociais podem ser gatilhos, assim como o estresse pode precipitar a depressão nas pessoas com predisposição genética.

Quando estamos alegres costumamos  dizer que olhamos o mundo com lentes cor de rosa, quando deprimidos o mundo fica negro, é a famosa “nuvem negra”, tudo nos irrita, temos dificuldades para concentrar, aparecem sentimentos de medo, culpa, insegurança, desesperança, sensação de desamparo, de inutilidade, tudo é um imenso vazio, oco, feio e insuportável.

 A auto-estima cai vertiginosamente, perda ou aumento do apetite e do peso, surgem os problemas de insônia ou hipersônia e vontade de morrer.

É como se o deprimido carregasse o mundo nas costas, tamanho o peso de sua dor. Sente-se como uma minúscula pulga em um mundo de elefantes.

Lamenta o dia todo se sentindo um fracasso: “Ninguém me ama, ninguém me quer” esta é a canção favorita do deprimido... Oh! Céus, oh! Dia, oh! Vida! Está literalmente no olho do furacão.

É necessário buscar ajuda para um tratamento adequado e também para a confirmação do diagnóstico. O tratamento é medicamentoso e a psicoterapia oferece suporte na reestruturação psicológica da pessoa.

Além da nuvem negra é possível um arco-íris!
 

Deijone do Vale
Neuropsicóloga




terça-feira, 4 de setembro de 2012

PERSONALIDADES PSICOPÁTICAS



Você sabe o que são personalidades psicopáticas?

Bem,  são manifestações do comportamento de indivíduos que apresentam ainda que por motivos discutidíssimos, um desvio quantitativo de sua personalidade. Geralmente este desvio  é desde a infância e acompanha todo o ciclo vital da pessoa.

O psicopata, não apresenta  alterações qualitativas nos processos intelectuais, afetivos e volitivos.

Eu poderia dizer que tudo que existe  no psicopata, existe também na pessoa considerada  normal, a distinção que faço é em termos de proporção, ou seja de grau, exemplo disso, seria a personalidade psicopática criminal, onde existe uma escassez de valores morais e éticos, associados a uma acentuada agressividade e impulsividade, cujo resultado seria a conduta anti-social.

Estas personalidades psicopáticas variam ao extremo, o que evidencia em todas, são suas reações inadequadas frente a determinadas situações criando conflitos que por fim se revelam em sofrimento para outros e para a sociedade.

São aqueles indivíduos que não olham os meios para obter determinado fim e os seus fins são também discutíveis, alguns são extremamente dominadores, outros passam a vida toda se apoiando em muletas humanas para se beneficiarem.

Existe nestes indivíduos um nível de tolerância muito baixo em relação à frustração, que chega a nos surpreender, o seu querer é de uma intensidade assustadora, no entanto o psicopata só recorre a comportamentos criminosos, quando não consegue o que deseja por outros modos.

Desde a mais tenra infância chama a atenção uma anestesia afetiva em seus relacionamentos, rebeldia a figuras de autoridade, agressividade, impulsividade, capacidade de dissimulação, tiranização  dos mais fracos, suplício de animais, atos de covardia, depredação de bens públicos e particulares, impulsos incendiários, tudo isto parece proporcionar-lhe um prazer mórbido.

Chama-nos a atenção a falta de auto-crítica, a   falta de integração emocional dos valores morais, sociais e educacionais (normas, costumes, conceitos éticos).

Mente, rouba e mata se achar necessário, este feitio amoral permeia toda a sua vida pessoal.

Apresenta um freqüente descontentamento e irritabilidade, e tem sérias dificuldades em manter relações estáveis e construtivas, pois  em geral carecem de sentimentos de valores (senso de responsabilidade, honra, respeito aos sentimentos e interesses alheios).

Você deve estar aí se perguntando: Eles  já nascem assim?

Veja, as averiguações etiopatogênicas da psicopatia são variáveis, mas é fato que um ambiente desfavorável, como pobreza, lares desfeitos, ilegitimidade e defeitos educacionais, como um pai excessivamente autoritário, uma mãe extremamente tolerante e que satisfaz todos os desejos, é possível que o resultado seja um psicopata.

Há relatos na clínica médica de casos de encefalite e psicopatia, são quadros pós-encefalíticos e desvios de conduta, indicadores de prejuízo das funções de auto-crítica.

A verdade é que esta questão sobre a etiopatologia da psicopatia, permanece aberta às discussões e pesquisas.

A orientação freudiana para a psicopatia, a explica como resultado da falta de internalização do superego (um dos componentes da estrutura psíquica, responsável pelo nosso conceito de “certo” ou “errado”, ou seja, o superego representa a herança sócio-cultural).

Leopold Bellek já dizia: “um continum biopsico-sociológico, que vai da extrema organicidade à extrema psicogenicidade”.

É ai que você me questiona: Psicopata se regenera?

Bom, regeneração é algo que psicopata não assimila emocionalmente, não se observam em psicopatas sentimentos de culpa, suas racionalizações  justificam a seus olhos a conduta criminosa.

Quando privados de liberdade ou encarcerados, acentua-se a sua revolta contra a sociedade que o pune por um crime, pelo qual não se sente responsável.

Atenção especial se deve dar às relações humanas dos psicopatas, são superficiais, e  quando profundas, revelam-se intensamente destrutivas, pois são totalmente egocêntricos.

O prognóstico de psicopatia é sombrio e grave, comporta sempre um difícil teste para psiquiatras, neurologistas  e psicólogos, e mais uma vez Freud vem em meu socorro: “Saber aceitar frustração ainda é uma condição essencial para a sobrevivência emocional e uma garantia de bom ajustamento interpessoal”.

Colocar limites para nossos filhos é fundamental!