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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

TONALIDADE AFETIVA: Amor, uma busca eterna...



Sem pressa. Sem vírgula. Sem ponto final. Sem mágoa. Sem dor. Só amor, por favor.

 
                                                                                       Deijone do Valle




 

Confesso ousadamente que sempre esperei e espero muito do amor...
E você?

Quantos sonhos, idealizações, doces fantasias e esperas eternas? a realidade sempre nos mostra a sua cara austera e legitimamente enigmática.

Ah! o amor... mas o que é mesmo o amor?

É um território desconhecido ou você conhece o caminho?

A essência da vida é o amor, e que atua nas fronteiras de nossa psiquê e nos transforma.

Comparo o amor com a primavera. É primavera! Primavera do amor e das estações.

Vivemos em constantes mutações, contradições e travessias infindáveis.
Dentro de você é primavera também?

Primavera colorida, doce, perfumada e florida... a primavera é assim, nos deixa com a alma leve e renovada, acredito que a primavera é a estação dos amores, dos lábios que se  devoram, do riso contagioso, dos beija-flores, do sol, do girassol, do bem-te-vi, do...
E nessa manhã ensolarada, estou a pescar sonhos dentro de mim e trazê-los à vida...

Na mitologia grega, Eros, era considerado o deus do amor, filho de Afrodite, retratado como um inocente anjinho mimado, de cabelos louros, simbolizando a eterna juventude, uma figura mitológica que personifica o amor, sempre com seu arco e flecha envenenados, e tendo como alvo o coração dos humanos e dos deuses.

A flecha do cupido quando nos atinge, afundamos como em areia movediça, mergulhamos além da superfície e muitas vezes nos afogamos nas próprias lágrimas.

Somente os apaixonados sabem do vendaval de emoções incorporados ao amor: tormentas, esperas, ciúmes, e loucuras jogadas aos quatro ventos.

Biblicamente o amor é comparado como sendo melhor do que o vinho, doce ao paladar, totalmente desejável, perturbador, formidável, puro, forte como a morte e arrebatador.

Que delícia: “mel e leite se acham debaixo da tua língua”... “arrebataste-me o coração com um só dos teus olhares”... “jardim fechado, manancial recluso, fonte selada, poço de águas vivas, mas o ciúme é duro como a sepultura”... (Cântico dos Cânticos 4:11-13).

Amor, essa montanha russa emocional que nos tira o fôlego, arrebata a alma e faz uma tremenda ciranda em nossa atividade cerebral, uma verdadeira farra com a substância dopamina, inundando o cérebro com uma sensação de bem estar e prazer, cuja atividade é justamente acalmar as necessidades biológicas através dos processos neuronais, elevando a concentração dos neurotransmissores no sistema límbico, e acionando incessantemente o sistema de recompensa.

Assim, com os mecanismos psíquicos e cerebrais ativados em alta rotatividade, nos sentimos voláteis e flutuamos como flocos de algodão, mas basta sermos abandonados, é acionado um “curto-circuito” neuronal e mostraremos de imediato nossa frustração da expectativa não correspondida e aí tudo pode acontecer: agressão, depressão com matizes afetivas variadas, indo do desprezo ao ódio declarado. Incrível, não?

Temos muito que aprender, e segundo a Bíblia o amor é um dom supremo, o amor é paciente, é benigno, não se ressente do mal, não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade; o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, o amor jamais acaba e sem amor nada seriamos.(Coríntios 13:4).

Qual é a sua tonalidade afetiva? 

Tudo conspira, o corpo, a alma e espírito, todos envolvidos nessa emoção espetacularmente humana e divina.

Visualmente imagino o amor como uma taça de champagne borbulhante, formada por reações viscerais, motoras, neuronais, hormonais, psicológicas, emocionais, culturais e espirituais e que atuam diretamente no sistema límbico, esse centro extraordinário que de certa forma é o responsável por metabolizar nossas emoções, com suas  complexas estruturas fisiológicas (giro cingulado, septium, bulbo olfativo, amígdala, corpo mamilar, hipocampo e fornix), onde os hormônios são liberados e caem na corrente sanguínea potencializando seus efeitos no SNC (Sistema Nervoso Central), dando uma boa acelerada nos batimentos cardíacos e promovendo aquela sensação gostosa no peito, uma espécie de euforia e prazer, tão comum nos apaixonados.

O sistema límbico, turbina e reforça os vínculos afetivos, gerando intimidade no casal de apaixonados, e fazendo com que as reações experimentadas em nome do amor, modifique radicalmente a bioquímica cerebral e corporal, provocando significativas alterações no humor, na memória, nos pensamentos e no organismo como um todo.

Apaixone-se, é uma doce viagem para além da alma, uma combinação explosiva de arrepios e calmaria, de luzes e sombras, de fogo e cinza, de fertilidade e caos, de loucura e consciência, de sorrisos e lágrimas, esse amor que sincroniza as batidas do nosso coração com o coração do outro: Tum... Tum... tum... tum...

Basta olharmos diretamente nos olhos do amado por alguns minutos, que isso afeta o cérebro e nos acalma como um potente analgésico, e se abraçarmos aí cura até dores de cabeça, não acredita?  Experimente!

E se o seu amado está longe de você, vale olhar a fotografia, que de certa forma aliviará a sua dor, seja física ou emocional.

Aquela velha estória de que os olhos são espelhos da alma é verdadeira, então não fique surpreso se você se apaixonar ao olhar nos olhos de alguém, pode ser que nesse  exato instante a flecha do cupido foi mergulhada em uma substância chamada feniletilamina, conhecida como o hormônio da paixão,  esse neurotransmissor pode desencadear sensações fisiológicas desde a famosa mão suada, palpitações e respiração  ofegante, é uma combustão química e certamente vai atingir de cheio o seu coração, fazendo-o mergulhar nas raias da paixão.

Em contrapartida temos as dores de amor. Você já ouviu falar na “Síndrome do Coração Partido? pois é isso mesmo, um sofrimento emocional grandioso poderá liberar substâncias cerebrais que enfraquece o coração e provoca dor no peito, no entanto, quando se segura à mão do amado, isso ajuda a aliviar a dor e o estresse.

Um coração “quebrado” revela uma dor psicológica associada a perdas e que poderá ocasionar uma patologia conhecida por “Cardiomiopatia Takotsubo”, ou Síndrome do Coração Partido, que é o enfraquecimento da musculatura do coração devido à produção de substâncias nocivas pelo cérebro, apresentando quadro clínico similar ao infarto agudo do miocárdio, os quais foram desencadeadas por conflitos psíquicos.

Nosso ego é uma espécie de espelho no qual a psiquê pode se ver, e tornar consciente de suas verdades, medos, uma vez que esse ego funciona como um agente individualizante da consciência humana, então fique sempre alerta àquilo que modifica  seu humor, para assim decidir assertivamente suas escolhas, sem se perder em doses elevadas de ansiedade.

Isso me faz pensar em montanhas, que são símbolo de força e poder: “firme como uma rocha”. Montanhas são arquétipos que nos induz à ascensão espiritual, à firmeza, impassibilidade e refúgio.

Faça o seguinte exercício: “Suba até uma montanha e contemple lá de cima, você terá uma perspectiva extraordinária, talvez essa experiência de subir a montanha e contemplar o infinito lá do alto, possa  fazer você dimensionar a sua capacidade de amar e de se doar. Experimente!

Quero ainda te dizer que o amor é a maior emoção humana que podemos experimentar e que não existem motivos para amar, segurar na mão e dançar, basta estar vivo.

Encerro esse texto, mas o amor é infinito. E uma vez mais cito a Bíblia, essa fonte inesgotável de amor: “Leva-me a sala do banquete, e o seu estandarte sobre mim é o amor”.

“Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu”.

Além da química entre os apaixonados deve existir mais, muito mais entre o céu e a terra...

“Vem depressa amado meu!”... (Cântico dos Cânticos).

Deijone do Valle
Neuropsicóloga

domingo, 31 de julho de 2016

ENCONTROS, DESENCONTROS... e os mecanismos de defesa do Ego




Há duas maneiras de sermos enganados:
uma é acreditar no que não é verdade, e a
 outra é se recusar a acreditar no que é verdade.
Deijone do Valle

Gênesis... que eu mude agora e sempre que precisar. 

Olhe ao seu redor e dê uma boa espiada no mundo em que vivemos... caótico, inseguro e amoral... mas também sublime, cheio de esperanças e de pessoas... um verdadeiro paradoxo. 

Ah! Humanidade!

Você já olhou para trás, em retrospectiva e verificou o quanto de seus sonhos, metas, objetivos e planos se realizaram?

Não realizaram? Tomou a estrada errada? Onde estão os sentimentos nobres de sua alma?

Adormecidos, anestesiados ou mortos?

Talvez estejam apenas adoecidos por ressentimentos, mágoas, desejos de vingança e retaliações. Você desistiu? Está com medo? Apático e inseguro? 

É melhor acertar logo essa diferença entre sentimentos e ações, emoções e razão, uma tarefa extremamente delicada e complexa, e que qualquer um de nos deverá fazer como um rotineiro dever de casa.

Esse é o desafio: acertar o compasso daquilo que somos, do que queremos ser e daquilo que precisamos vir a ser... grande desafio e eu te desafio.

Devemos explorar o nosso consciente, e o inconsciente também, para promover algumas associações sobre alguns acontecimentos e interpretar o que eles significam verdadeiramente em nossas circunstâncias.

Em nossas vidas existem coincidências significativas, aqueles acontecimentos que não conseguimos explicar mas que sinalizam algo significante e isso acontece o tempo todo. 

A dificuldade é que muitas vezes fixamos o olhar naquilo que nos falta e não em nossas potencialidades e plenitude, e assim ficamos explorando apenas carências.

O que vai bem? E o que não vai bem? Feridas sangrando? Será que não são feridas narcísicas, cultivadas com esmero e que servem para relativizar o que somos?

Examine calmamente suas angustias, seus conflitos e suas zonas de desequilíbrios, seus impulsos  instintivos reprimidos e suas fantasias.

Explore suas fronteiras psíquicas e veja como se interconectam com o mundo externo, ou seja, seus conflitos pessoais, impulsos e as defesas de seu ego, com as habituais resistências aos indesejáveis afetos que promovem uma “blindagem de caráter” tão conhecidos dos psicanalistas que são os mecanismos de defesa do ego como: isolamento, repressão, introjeção, regressão, anulação, reversão, formação reativa, projeção, inversão e sublimação.

Estes mecanismos de defesa nada mais são do que maneiras diferenciadas de um indivíduo se manifestar frente aos seus conflitos instintivos e seus afetos, confrontando-os com a resistência de seu ego, os quais são manifestados individualmente expressando de forma personalíssima a sintomatologia, que observamos nos pacientes, principalmente nas neuroses.

Medo e ansiedade são inibidores da nossa capacidade em levar a diante escolhas de qualidade, uma vez que os conflitos internos estimulam pensamentos irracionais, intensificando a ansiedade assumindo o controle do cérebro.

É necessário o exercício diário da paciência, cultivando a serenidade e não permitindo que o estresse queime toda a sua energia mental minando o neo-córtex, e assim promovendo o desequilíbrio de suas funções e retirando a eficácia do funcionamento. 

Você já percebeu que existem pessoas que conseguem despertar o que temos de melhor? 

Em contrapartida outros, o que temos de pior.

É incrível quando encontramos pessoas que brilham internamente de forma tão intensa que extravasam sua luz para outros e contagia todos a sua volta e que sem elas a vida fica rasa.

Pessoas deliciosas que não ficam preocupadas com o sucesso alheio cultivam o bom humor e sempre tem um sorriso para você.

Pessoas que sabem perdoar sabem pedir desculpas, sabem voltar atrás em opiniões assumindo as consequências, sempre prontas a acolher, abraçar, cuidar e oferecer afeto.

Pessoas que conhecem nossos defeitos, mas não os evidencia, não nos pressionam com seus argumentos lógicos, concretos e sempre irrefutáveis.

Pessoas que não subestimam sua timidez, sua insegurança e fraqueza.

Isso nos confronta com o tipo de pensamento que provavelmente estamos condicionados a ter e a maneira que escolhemos para percebermos a vida.

Nada melhor do que estar consciente de nossos pensamentos e atitudes, e para que isso aconteça é necessário percebermos o nosso Ego, esta fonte autocentrada, narcísica, egoísta e que algumas vezes nos faz esquecer a compaixão e a empatia. 

Ego, essa fonte extravagante de energia psíquica sempre em busca de gratificação, sempre produzindo sentimentos de tensão devido imperativos defensivos de suas fronteiras.

Uma das funções do ego é sintetizar e fazer com que os impulsos do id se harmonizem com a censura do superego estabelecendo a paz na psiquê.

Caso contrário se o ego não ganhar leveza transforma-se em fardo com seus habituais mecanismos de defesa.

Logicamente, uma das funções do ego é a autopreservação, no entanto, necessita estar em consonância com outras variáveis, este ego deve funcionar como um bom advogado promovendo uma psicodinâmica entre a fonte primária de energia que é o id, cujo impulsos atendem demandas físico químicas do organismo na obtenção de diversos fins, imediatos ou não,  como a libido ou Eros, energia sexual, e o Tanatos, impulsos de morte, nessa eterna  guerra entre vida e morte. 

A energia mental no sentido destrutivo ou construtivo, tem como fonte o id e é regido pelo princípio do prazer, pelo imediatismo do aqui e agora e está à serviço do ego na sua luta adaptativa, ou  alimentando as pressões do superego, que sempre buscará censurar, um verdadeiro carrasco acusador. 

Id, Superego e Ego são estruturas psíquicas que apesar de independentes não podem ser consideradas separadamente em seu funcionamento.

Imagine a seguinte cena: O Id diz: “Estou tenso porque quero esta BMW e vou roubá-la”...

Imediatamente o Superego retruca: “Não roube, você será preso”...

Então o Ego, como um bom mediador pondera: “Você poderá ter esta BMW, basta trabalhar dobrado, economizar  e assim terá como comprá-la”.

O Ide age pelo impulso imediatista, o Superego censura bravamente, mas uma personalidade equilibrada dependerá sempre de um Ego fortalecido que fará a harmonia reinar no psiquismo.

Caso esse equilíbrio não venha a acontecer, teremos padrões desviados de normalidade, mas um ego fortalecido encontrará saídas para agir na dinâmica psíquica interagindo no substrato energético que é o organismo como um todo.

Os mecanismos de defesa do Ego, em sua maioria são inconscientes e sua função é de proteção e de manter a estabilidade emocional, no entanto, estes mecanismos de defesa se utilizados inadequadamente levará a distúrbios psicológicos, caso funcione adequadamente cumprirá o seu papel.

Por exemplo, o mecanismo de defesa: “Compensação”, visualize em sua mente pensante um homem que não cresceu e que ficou com a estatura reduzida poderia sentir-se inferiorizado, então se esforça ao máximo para desenvolver uma grande capacidade intelectual e fica famoso, mas não tem consciência que foi seu sentimento de inferioridade que gerou  a motivação para a fama.

No mecanismo de defesa: “Negação“, este é um dos mais primitivos que existe em nosso Ego, e consiste em bloquear percepções que o indivíduo não aceita em sua realidade imediata.

Como vemos as atividades mentais funcionam com alguns mecanismos de defesa do ego e são utilizados exatamente para manter a homeostase psíquica.

No consultório fica evidente a percepção de que o Ego, é um antagonista do terapeuta.

O nosso Ego é uma tremenda força emergente dos processos inconscientes, e logicamente promove uma resistência ferrenha contra o trabalho terapêutico que é minar as operações defensivas do ego e trazê-los à consciência.

É interessante termos um registro dos eventos que desencadeiam em nós emoções exagerados, pois se analisarmos detalhadamente descobriremos coisas interessantes, basta investigar e verificar que tipo de emoção está sendo mobilizada e assim promover transições significativas dessas experiências de puro amadurecimento.

Você se recorda de algum momento emocional decisivo que você superou com graça? 

Isso te propiciou descobertas? Você já teve algum encontro original que lhe rendeu uma sintonia extraordinária?

Alguns acontecimentos em nossa vida não podem ser mensurados por conceitos temporais, parecem eternos e de uma unidade e unicidade extrema e que expande a nossa mente como afirma a física quântica, essas possibilidades fora do limite do tempo/espaço.

É muito comum sentirmos o olhar de alguém antes de percebermos a presença da pessoa. Sonhos também são grandes aliados, eles podem fornecer soluções incríveis para todos os tipos de problemas da vida real.

Sonhos podem acrescentar soluções inovadoras e nosso cérebro possui uma capacidade de realizar projeções profundas que estão além do tempo e do espaço.

Mantenha sempre um diálogo interno com você mesmo, principalmente quando estiver em dúvida sobre alguma questão, pois o significado mais profundo é conhecido pela nossa psiquê, e a resposta poderá vir através de sua intuição e criatividade.

Ter convicção é algo incrível, pois nosso cérebro está de certa forma programado para reagir às dúvidas com ansiedade e medo, especificamente o sistema límbico está área responsável pelas emoções, e quando assume o comando de imediato promove uma farra de desorganização gerando medo e que pode nos levar ao pânico, e dependendo do que foi armazenado no subconsciente, bloquear nossas possibilidades de enfrentamento.

Emergente se faz a necessidade de se posicionar em novas formas de enfrentamento, como desenvolver decisões e estratégias arrojadas alavancadas por convicções internas que poderão dar suporte ao cérebro e promover um ganho elevado de dopamina, o hormônio da alegria e do bem estar, caso o contrário se houver ansiedade e medo isto eleva os níveis de cortisol, o hormônio responsável pelo estresse que inibe e perturba nossa memória e concentração, desequilibrando o sistema imunológico e tornando nos suscetíveis ao adoecimento.

Cultive sua capacidade em realizar escolhas com convicção,  assim a possibilidade de ser assertivo será maior, pois pessoas que confiam em suas escolhas e exercitam sua  intuição são mais propensas a enfrentar os desafios com êxito e maior grau de assertividade.

No final de tudo a nossa humanidade sempre nos oferecerá duas perspectivas: uma é a de ver o que é real e a outra o que não existe.

Deijone do Valle
Neuropsicóloga

domingo, 17 de abril de 2016

AUTO - RETRATO DE UMA PAIXÃO: uma fantasia à distância...



Não é importante como entra-se no palco da vida dos outros, importante mesmo é a saída de cena: dê um sorriso, comunique o fim do espetáculo preste a sua maior reverência, mas sobretudo, não conceda o “bis” a um público que o não mereça.
                              Charles Chaplin.

Você já se arrependeu por não ter dito algo, ou por ter falado demais?

Amores primeiros ou amores derradeiros?

A onde está o amor?

Quem mentiu por amor?

Qual a sua verdade sobre o sentimento amor?

Cadê as cinzas de suas memórias?

Qual a medida da sua nudez?

Chorou ou ainda vai chorar?

Qual é a dor que te desafia?

Qual é o tamanho da sua renúncia?

Você é omisso ou vive defendendo o seu silêncio?

Abra devagar a porta desse seu coração, seu dissimulado, criou um cativeiro emocional.

Será que me enamorei apenas de seus vícios?

Sim, renunciei a liberdade e perdi a minha autonomia.

Somente com você cheguei a ser eu, ou seria a distância que me fazia desejá-lo tanto?

Nunca te roubei confissão, você é enclausurado, fechado e reticente...

Me guardei para você, mas foi em vão, me esvaziei de mim, fechei a conta do nosso romance, passei a régua e paguei o preço.

Multipliquei a tua ausência dentro de mim, ao ouvir suas acusações e ofensas.

Possessivo, ciumento, quente, instável e mal humorado.

Você decididamente brigou com a vida, vive fumando para se acalmar, e eu louca para morrer e você louco para matar.

Fracassamos os dois! Fiz o impossível, mas mesmo assim não foi o suficiente, você pedia mais, e mais.

Nada aplaca a sua dor, seu cinismo, sua amargura, sua insensatez e suas fraquezas.

Sou uma incompetente em separações, não é uma questão de coerência, quando acreditamos que a relação acabou, na verdade só estamos procurando um outro jeito,  de recomeçar.

O condicionamento errado do “unicamente coletivo”, me massacra: “Se eu tivesse”; “se acontecesse”; “se eu conseguir”; “então serei feliz”. Correto? Errado!

Se todos os seus “Se”... ocorressem prontamente, será que você seria feliz?

A hora em que você chega lá, descobre que tem  uma outra porção enorme de “Se”, e assim passamos a vida inteira a nos defender, e acalentamos nossas feridas como um tesouro, atacando àqueles que procuram nos curar. Incrível, não?

Amamos, mas temos medo de amar, medo de sermos machucados, de sermos feridos pelo outro, e assim empreendemos esforços hercúleos para nos blindarmos e ficarmos imunes.

Alguns querem apenas ser amados, vivem mergulhados em seu egoísmo e carência afetiva, acoplados a mentiras e ambiguidades de toda ordem.

Intolerância e orgulho são máscaras daqueles que não conseguem serem generosos em sua competência  ou incompetência para amar e ser amado.

Viciados um no outro, indefesos, sem imunidade, sem anticorpos, totalmente à mercê desse doce/amargo amor.

Declaramos aos quatro ventos, espalhamos esse amor, sem omitir um só pensamento, o olhar se declara ao mundo e o outro é a própria premissa do amor.

Dar... dar... dar... um coração doador com atestado inédito de paixão absoluta pelo outro ser.

Não tem mais conserto, a entrega é total, o risco também, contenta-se com migalhas ou com o nada.

É sexo e amor? É só sexo? É amor? Cadê a intimidade? Cadê a verdade?

Amar não é uma estrada de via única, é dupla mesmo, e com movimento intenso, uma dinâmica ativa, com expectativa genuína, autêntica, caso contrário, só sobra dor.

Afinal sentir amor é uma transferência direta para o outro, o amor não é seu, é do outro, não fica com você, vai direto para o outro.

“Eu te amo!” isso dói demais, esse amor escancarado, escrachado, desnudo e delirantemente inconveniente. 

Aí que dor de amor!

Eu te amo... deixa cicatrizes, mágoas, incertezas, e no final sobra um bela de uma ferida sangrando a céu aberto.

Qual o crime? Amar demais!

Amar sem medida, sem rumo e sem nexo.

Você morre por amor, sua raiva explode, sabe que vai sofrer, vai ficar com ciúme, revoltado, desesperado, chorando com o coração partido, em frangalhos, estilhaçado, pisoteado e ainda assim pulsante de amor.

Levantei na ponta dos pés para o teu abraço, mas o beijo não aconteceu, senti o roçar de sua barba que nunca toquei, e que ficou eternizada  em minha mente, essa moradora fantasma de meus mais doces e apavorantes pesadelos.

Senti um calor enorme, me debulhei em conta gotas de suor, soletrei baixinho o seu nome e chorei todas as minhas lágrimas.

Não houve beijo, não houve toque, só fantasias do silêncio noturno, uma agonia em desencanto, um beijo sem beijo, um gosto sem sabor, um desespero sem voz, um choro sem eco.

Morri dentro de mim, matei você no coração e em meu adorável cérebro.

Briguei com a minha própria alma, brinquei com a sua raiva, queimei minha identidade emocional, e você me despersonalizou, então joguei fora a minha razão.

Vesti seus pesadelos, abrindo mão de meus sonhos, perdi minha coragem e mergulhei nas trevas da solidão.

Caminhei no compasso do seu tempo, perdi a hora e me lancei em uma eterna espera.

Nenhum outro ser, nenhum outro homem despertou tanta fome em mim e olhe que nem sei como é o barulho de teus passos.

Que angústia, que insanidade, que desequilíbrio, essa tortura mental de desespero.

O script mudou, a melancolia é inédita, a obsessão também, estou pisando em gelo fino.

Tudo fora de lugar, não existe futuro, não existe dia seguinte, é o caos, uma antevisão do luto, uma premonição de morte em vida.

Ah! Um punhado de pequenas e minúsculas promessas? Uma cumplicidade não cumprida, isso é só uma abstinência da vida.

Vivendo de flash backs e luzes apagadas.

Impaciência, distorção do tempo e espaço, uma dependência de palavras mal elaboradas, um ódio mal contido, dois seres irritantes nessa intimidade.

Tudo sinaliza distância e afastamento, uma única e pequena cena de ciúme fabricada unilateralmente por você.

Vício da imagem, da voz, da personalidade um do outro, enlouquecendo nossos sentidos e cegando o espírito.

Insônia, isolamento, compulsão, inapetência, lágrimas e morte, somos assim incompletos, perdidos um do outro.

Queria filtrar a luz do seu olhar azul e contar  todas faíscas de dor, de angústia e colher suas lágrimas para somar no cálice da minha dor.

A noite não é uma  festa, é só silêncio, muita solidão e muita certeza de que o seu corpo foi feito para mim, uma completude, um encaixe perfeito, uma fusão.

Consciência absoluta da impossibilidade, uma fotografia autenticada pelo impossível.

Antagonismos e um eterno suplício captar a lógica um do outro.

Mesmo assim, eu o amo, somos incompatíveis, improváveis na essência, mais evidentes no desejo.

Somos conectados pelo instinto de macho e fêmea, uma divergente doação, onde travamos um duelo de vontades e que nos unem como ferro incandescente e fundido, tudo aquilo que a cultura e a palavra separam.

Infelizes nessa irracionalidade inoportuna, um verdadeiro descompasso de uma dança em desequilíbrio.

No inconsciente somos complementares um do outro, ardemos como uma fogueira desde a primeira palavra e não nos tocamos pela impossibilidade, mas a mente arrebata todos os improváveis e inesperados desejos.

Sofrimento... não existe a cumplicidade da confidência, somos dois estranhos vingativos, mas se você soubesse o quanto eu te amo.

A vida segue, você bloqueou todos os contatos, apagou todas as memórias, renunciou todos os laços de confiança, mergulhou fundo na insegurança absoluta do avesso da verdade.

Ah! você foi cruel, insaciável em sua fúria de domínio e de ternura esporádica.

Odiou com a sua implacável verdade e se escondeu em sua própria dor.

Filosofou o diálogo mascarou seu sofrimento, economizou nos sentimentos e pisoteou a razão.

Nunca terei o seu suor na minha pele e o raspar de sua barba em meu rosto, nem poderei ouvir sua voz gritar novamente o meu nome,  em meio às chantagens amorosas e eróticas.

Insensato coração, morrendo de ciúmes de suas mentiras provocativas, mal educado, passional, estou morrendo de saudades de você.

Me  perdoe, não te magoei por querer, te magoei por engano, te dei mais que um sorriso, te mostrei a minha alma.

Você me evita, me rejeita, me isola em seu silêncio, em sua defesa articulada e coesa, ao ponto de me recusar.

Que bom que você me nega, que bom que você me desafiou, preciso mesmo de um homem assim.

Insensível, lacônico e anestesiado, esse é você!

Dormi, consegui dormir depois de muitas noites insone.

O sono cura quase tudo, me curou de você!

E por fim, quero te agradecer do fundo da minha alma, você me ensinou uma lição preciosa, me ensinou algo sobre o qual eu nunca havia pensado: Você me ensinou que "beleza é um presente de Deus". Muito obrigada!

Você meu íntimo estranho, você é único e eu não sou seu par, nunca te vi, mas sempre  te amarei.


Deijone do Valle
Neuropsicóloga

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

EU ESCOLHO A VIDA: Vivências e Fantasias...



                                      Tudo bem: você poderá entrar nos meus sonhos, mas se deixar eu entrar nos seus...


Deijone do Valle


Gosto mesmo de atender pessoas apaixonadas, talvez por me identificar com elas, pela ousadia e bravura ou pelo medo e dor.

E você está apaixonado?  Você é solteiro ou casado? Você está feliz?

Você é um daqueles que renunciou seus limites para que juntos se tornem um? ou  atravessa a vida solitário?

A película da vida pode nos ser tirada a qualquer momento, e talvez nossos desejos mais profundos nunca se realizem.

Muitas pessoas passam pela vida à procura do amor, e certamente outras tantas encontram o amado de suas almas, e outras vivem de fantasias.

Afinal, também somos seres de fantasias, essa aventura particular de um mundo velado por segredos, e realmente ninguém está sozinho no reino dos desejos e do faz de conta.

Isso me recorda do romancista americano, Jonathan Ames, Wake Up Sir! (Acorda, senhor!): “Imagino que todos, queiramos saber os segredos das outras pessoas para que possamos conviver com os nossos próprios”.

Fantasias! esse conteúdo privado de nossas mentes, que muitas vezes espelham fragilidades, conflitos, crises, angústias, autoconsolo e mesmo defesas contra a construção de relacionamentos, na verdade uma defesa contra a intimidade, e uma forma de manter outros a distância.

Fantasias constituem um componente universal da condição humana, uma verdadeira impressão digital psicológica que fornece dados da história de vida do sujeito, e que pode propiciar prazer e dor simultaneamente, e que têm origem em experiências traumáticas ou não, ocorridas no início da vida.

Fantasias são paixões íntimas, originadas da mente e algumas são extremamente prazerosas, outras perturbadoras.

Como psicoterapeuta, costumo ouvir o paciente, com três ouvidos: ouço o que me diz, mas também o que não é dito, procurando entender o não revelado, não verbalizado, mas que posso ler nas entrelinhas e que permanece secreto, até mesmo para o próprio paciente.

É exatamente com o meu “terceiro ouvido”, que concentro todo meu empenho para oferecer suporte ao paciente, para que ele também se ouça, colocando-me como um espelho para sua alma e fazendo eco no abismo de sua consciência.

Mais, voltemos às fantasias, essa trilha sonora mental particular, de pensamentos secretos, escondidos e camuflados nas esquinas da alma, manifestados muitas das vezes, em conteúdos sexuais e expressos numa mistura incongruente de repulsa, compulsão e gratificação.

Freud, o pai da psicanálise, magistralmente afirmou que as forças que motivam as fantasias, são de defesa contra os desejos não satisfeitos e sendo assim, toda fantasia é a realização do desejo, e foi além, quando afirmou que os sonhos é a estrada real para o inconsciente.

Fantasias revelam desejos subterrâneos da mente, e de quem habita essa mente, e que nos fala de conteúdos da história prévia de cada um, suas vivências, e o significado oculto que é encontrado em nossa realidade emocional e que geram nossos fantasmas secretos.

A capacidade de criar fantasmas é natural, indicando o funcionamento mental e psicológico da condição humana e que, independente do quanto “normal” ou “anormal”, estes “fantasminhas camaradas” ou não, se manifestam com fortes conteúdos de impulsos eróticos, e que determinaram a carga emocional de desejos violentos e poderosos, ou pacíficos e superficiais.

Nós psicoterapeutas, naturalmente temos acesso aos conteúdos mais dolorosos do mundo psicológico do outro, onde podemos mensurar a dimensão da desestruturação ocorrida por traumas psíquicos de toda ordem, como violência, rejeições, abandono e uma gama variada de abusos.

Fantasias podem ser fonte de gratificação e também de tormento, esses filmes secretos da mente humana, sendo inegável o reconhecimento de cunho psicológico oculto e por trás da fantasia.

Nossa sobrevivência depende muito dos relacionamentos construídos durante a existência, e talvez a intervenção mais poderosa para impactar e dar sentido à vida, seja o amor e a intimidade.

Amor e intimidade promovem mudanças significativas no estilo de vida e tem um papel importante na saúde, seja física ou mental.

O que tenho a ver com o outro? Tudo!

Relacionamentos estão na base dos fatores responsáveis pela saúde ou adoecimento.

“Abra o seu coração”, aliás, a doença cardíaca, tão presente em nossos dias, não supera a depressão que tem levado muitos ao isolamento e sofrimento, assim como comer compulsivamente, fumar e beber descontroladamente, enfim, ter uma morte prematura devido ao modus vivendi de forma autodestrutiva, (suicídios, acidentes e doenças).

Qualquer coisa que te faz viver no ostracismo e no esquecimento, certamente irá te conduzir rapidamente ao adoecer e ao sofrimento.

O sofrimento salta aos olhos e todos querem de alguma forma amortecer sua dor, mas isso é inútil, o melhor é a mudança do estilo de vida, e ponto final.

Mas você insiste em querer eliminar a dor?

Meu querido amigo, a dor é só uma mensagem, uma possível informação de alerta.

Quando as emoções vão bem, e o espiritual também, o físico acompanha, então, mude o seu modo de viver.

Quando lemos sobre os prisioneiros de Auschwitz, um campo de concentração nazista da Segunda Guerra Mundial, onde pessoas jovens e saudáveis desistiram e morreram, outros frágeis e velhos sobreviveram. Por quê?

Porque sobrevivência não é meramente uma condição cronológica ou de doenças apenas, ela ultrapassa os estreitos limites da nossa capacidade física e vai além, como  aprender a dar sentido e foco à vida.

Pessoas que passaram por situações de “quase morte”, mudam radicalmente, isto porque foram capazes de dar atenção ao sofrimento e valorizar outras coisas, que não percebiam anteriormente.

Lógico, que não vou dizer para você: Nossa!  foi “ótimo” você ter “quase morrido”, não é?  mas que o sofrimento é um “ótimo” alquimista, não tenho dúvida nenhuma, e a probabilidade de  transformação da  sua vida  para melhor.

Experiências extraordinárias e que envolvem a própria vida, geralmente nos faz entrar em contato com valores que às vezes subestimamos, e isso é possível, mesmo quando imensurável.

Já ouvi muito: “...se eu pudesse dormir e nunca mais acordar,  seria ótimo...”

É muito engraçado, tropeçamos em nossos fracassos, mas tropeçamos também no nosso sucesso.

A grande verdade é que nossos vazios existenciais, jamais serão preenchidos com dinheiro/fama/status/beleza/poder, o que temos a fazer é experimentar o amor e a intimidade.

Esse poder de “intimidade”, vai muito além do nosso instinto sexual, de sobrevivência e defesa, é preciso compaixão, mais humanidade e mais amor.

Amor x intimidade, então é “abrir o coração”, e muitas vezes o processo de se descobrir é mais interessante do que as respostas.

Sou um arquivo vivo dessas mudanças, que tento implementar em minha própria vida, e sei que não é uma tarefa simples e fácil, essa sensação de isolamento, os erros que cometi, os acertos que aprendi e tudo que fui construindo ao longo do caminho.

É através de um apurado senso de percepção, esse ato de perceber conscientemente  nossos pontos cegos, e ter um “coração aberto”, afinal o que somos reforça ou fragiliza o nosso “estar no mundo” e somos afetados pelos relacionamentos.

Reza a lenda que o cientista francês Louis Pasteur, em seu leito de morte expressou: “Le germe n’est rien c’est le terrain qui est tout” - (“O micróbio não é nada, o solo é tudo”).

Então, o que somos, é tudo!

Nossos corações criam armaduras, carapaças bem defensivas para nos protegerem, mas estas mesmas defesas, nos impedem de criarmos vínculos, e podem nos isolar, se estiverem sempre em prontidão, se nada e nem ninguém, nos pareça seguro o suficiente, para derrubar essas muralhas de Jericó.

“Abrir o coração” significa uma disposição interna de torná-lo vulnerável e aberto ao outro.

Infelizmente só poderemos construir uma intimidade, de conformidade com o nosso grau de disposição para sermos abertos, e vulneráveis à proximidade do outro.

Temos medo de intimidade, mas sinto te dizer, só é livre quem é capaz de ter intimidade, e só podemos exercitar a intimidade na medida em que formos vulneráveis.

Por temermos as mágoas e feridas emocionais, ficamos na superfície e não aprofundamos os laços afetivos, mas a intimidade pode ser libertadora e curativa, na medida em que se decide tornar-se vulnerável ao outro.

Relacionamentos é como abrir poços, você pode abrir um poço profundo e alcançar uma fonte de água abundante, ou ficar abrindo centenas de poços rasos que nunca produziram nada.

Você se sente amado? Amado porque é especial? ou sente-se especial, porque é amado?

A verdadeira graça não é apenas ser amado, é aprender a amar.

Nesse caminho tem um coração?

Se a resposta for “não”, procure outro caminho.

Um caminho sem coração nunca é agradável.

O que importa é o amor.

É melhor correr o risco de ser cada vez mais vulnerável, e mesmo que uma vez ou outra, possamos ser magoados, nós certamente definiremos nossas escolhas, através do comprometimento ou não nos relacionamentos.

Eu escolho a vida!

E ser vulnerável é a porta para a intimidade e o amor, vivendo o melhor de você, no outro.


Deijone do Valle
Neuropsicóloga